(AdobeStock) Se o bullying já é cruel dentro da escola, o cyberbullying consegue ser ainda mais devastador. Quando a violência migra para o ambiente digital, ela deixa de ter hora para começar e terminar. Ultrapassa os muros da escola, invade a casa da vítima, entra no celular, na madrugada e no fim de semana. O cyberbullying acontece por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens, grupos, jogos on-line, perfis falsos, montagens, vídeos, áudios, memes e postagens ofensivas. Uma imagem exposta sem consentimento, um comentário humilhante ou um boato compartilhado podem alcançar centenas de pessoas em poucos minutos. O constrangimento ganha velocidade, alcance e permanência. Esse é um dos seus aspectos mais perversos: a multiplicação. Um conteúdo ofensivo pode ser curtido, salvo, reenviado e reproduzido inúmeras vezes. Mesmo quando apagado, muitas vezes já circulou o suficiente para deixar danos emocionais profundos. Para a vítima, a sensação costuma ser de perseguição permanente. Muitos ainda tratam o cyberbullying como algo menor, típico da geração conectada. Não é. O ambiente virtual não suspende valores éticos, nem elimina responsabilidade. A agressão por trás de uma tela não se torna menos grave; em muitos casos, torna-se ainda mais ampla e humilhante. Os efeitos podem ser severos: ansiedade, medo, isolamento, queda de rendimento, depressão e perda da autoestima. Muitos jovens silenciam por vergonha, medo de represálias ou receio de não serem compreendidos pelos adultos. Por isso, pais e escolas precisam abandonar a ideia de que a vida digital dos adolescentes é um território em que ninguém deve interferir. Supervisão responsável não é invasão; é proteção. E a escola não pode se omitir, porque a violência digital quase sempre repercute na rotina escolar. Enfrentar o cyberbullying exige acolhimento, educação e responsabilidade. A internet não pode ser terra sem limites e sem humanidade. Fabrício Vasiliauskas. Advogado, escritor, autor do livro Descomplicando o Bullying e membro do Projeto Bullying Não Tem Vez.