[[legacy_image_312226]] O editorial de A Tribuna do dia 13 de novembro, sobre a ampliação dos cursos de medicina em nosso país, aponta uma preocupação recorrente da classe médica brasileira. Há anos, profissionais de saúde e as entidades que os representam vêm alertando para a abertura indiscriminada de escolas médicas, patrocinada pelo Governo Federal e um possível comprometimento da qualidade, eficácia e segurança da assistência em saúde no País. No início de novembro, a Federação Nacional dos médicos ( Fenam) divulgou o “Panorama dos Cursos e Vagas de Graduação em Medicina no Brasil”, um documento que utiliza dados de uma ampla pesquisa demográfica, realizada pela Associação Médica Brasileira (AMB) em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) (Scheffer M. et al., Demografia Médica no Brasil 2023) para defender a qualidade do ensino médico em nosso país. O texto aponta que 55,7% das 41.805 vagas de graduação em Medicina existentes em 2022 foram criadas na última década, principalmente após a criação do Programa Mais Médicos. Uma particularidade dessa expansão está no aumento da privatização do ensino. Enquanto as vagas públicas cresceram 64%, nesse mesmo período as vagas em escolas médicas privadas aumentaram em 358%. Ou seja, a graduação em medicina tornou-se um negócio bastante lucrativo, com uma receita potencial estimada em R\$ 20,9 bilhões, em 2022. De todas essas vagas disponibilizadas em escolas privadas, 90% correspondem a apenas quatro grupos empresariais da educação. Coincidentemente, ou não, essa mesma porcentagem corresponde às instituições localizadas em municípios que não atendem aos critérios de infraestrutura considerados como essenciais, pelo CFM, para que uma escola de Medicina tenha um ensino de qualidade: oferta de, no mínimo, cinco leitos públicos de internação para cada aluno; acesso de, no máximo, três alunos a cada Equipe da Estratégia Saúde da Família (ESF); e presença de um hospital ensino. Assim, nos unimos às demais entidades representantes da classe médica para questionar a constitucionalidade do artigo da Lei dos Mais Médicos que autoriza a criação de novo cursos e vagas de Medicina. O Brasil não precisa de mais médicos, mas de médicos melhor formados