(Imagem Ilustrativa/ Pixabay) A cidade inteligente precisa ser sustentável e cultivada. Meio ambiente integrado ao espírito de uma comunidade é o caminho para um mundo possível. Se você, leitor/eleitor, se encanta com Amsterdã ou Lisboa, faça o dever de casa e torne sua terra um pouco próxima do ideal de ecologia com arte. 1. Cultura não é cereja do bolo de uma plataforma, e sim o recheio de interação entre todos itens de qualidade de vida do município. 2. Os candidatos à Prefeitura não têm direito de desconhecer História e artistas que compõem a alma que sustentam a imagem concreta de onde vives. 3. Nenhum aspecto social é tão liberto quanto a Cultura, até porque engloba todos. Nenhum gestor pode ousar tutelar Arte em nome de ideologias. O boicote ao espírito criativo é atentado contra o povo que o sustenta. 4. Cultura é direito, exige capilaridade: um ponto de Cultura por bairro, como é feito com as exitosas policlínicas. 5. Não confundir Cultura com indústria de massa: eventos sem poder crítico devem estar atrelados a Turismo ou autarquia específica. Ambos merecem respeito, mas não se confundem na atenção exigida dum gestor. Quem zela por orquestras ou bibliotecas na periferia não pode ser mesmo que faz cotação de rojão e passagem de som na Zona Sul. 6. Quando pensar em Cultura, fortalecer laços e deitar raízes em políticas permanentes: formação de entes sujeitos de seu destino, não marionetes como objetos do mercado ou de preceitos reacionários. 7. Não existe centro em Cultura: as chamadas periferias precisam expressar mais e mais o que produzem sem serem catequizadas por estéticas consolidadas. Os cânones e as insurgências precisam se retroalimentar. Villa-Lobos e Cartola com mesmas oportunidades. 8. Nenhuma outra política pública é tão gêmea de Cultura quanto Educação, ainda que criadas com identidades próprias mas convergentes. 9. O desmonte de culturas consolidadas e provadamente exitosas é um atentado à trajetória humana da tua terra. 10. Não se faz política pública em Cultura sem ouvir artistas e arquitetos do espírito. Cultura é soma de tradição e vanguarda, casamento do passado que permanece e o futuro que se anuncia pedindo ajuda ser parido. A poesia é a argamassa que forja todo edifício criativo. O teatro, a arte total, a dança que mobiliza corpos e mentes, a música que solidifica as bases e especialmente a literatura que perpassa toda engenharia de expressão alinhavando a linguagem, o vernáculo, o ecossistema criativo das tuas esquinas. A praça, a boêmia, os anfiteatros ociosos de escolas, todos cantos da cidade precisam ser agitados pela cultura legítima e não mercantilizada: Cultura pede 24 horas. Não confundir Cultura no sentido orgânico e não monetizado com economia criativa. A Cultura já é por si a soma não utilitária da economia com a criação sem as pressões de compra e venda. A arte já se basta como sustento, ganha-pão é outra história. Digital e epidérmico, o internético e o presencial em Arte se encontram. Cada vez mais híbrida, a Cultura precisa oferecer acesso e acervo, integração de mídias e ausência de preconceitos. As cidades “do” e “de” futuro serão culturais e diversas ou não serão. Cultura é Educação, Saúde, nos transporta , nos habita. Vote pensando nisso que é imenso! *Flávio Viegas Amoreira. Escritor e membro da Academia Santista de Letras