(Freepik) Quando falamos em desenvolvimento humano, poucas fases da vida são tão decisivas quanto a primeira infância — período que vai da gestação aos 6 anos de idade. É nessa etapa que se formam bases essenciais para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças. Por isso, as experiências vividas nesse período, positivas ou negativas, deixam marcas profundas ao longo da vida. No Brasil, milhões de crianças estão na primeira infância, muitas delas em contextos de desigualdade, vulnerabilidade social e fragilidade de vínculos familiares. Diante dessa realidade, cresce a compreensão de que investir nessa fase não é apenas uma ação social, mas uma estratégia de desenvolvimento humano, econômico e comunitário. Nesse cenário, ganham força iniciativas que propõem olhar para a cidade e para os serviços públicos a partir da perspectiva da criança. Uma das abordagens mais conhecidas é a dos 5 Básicos, que reúne práticas fundamentais para o desenvolvimento saudável: demonstrar afeto, conversar e interagir, estimular o brincar, criar rotinas seguras e explorar o mundo juntos. São atitudes simples, mas com impacto real na formação de vínculos, no aprendizado e no bem-estar infantil. Mais do que uma política isolada, trata-se de uma mudança de olhar. Escolas, unidades de saúde, centros de assistência social e outros equipamentos públicos podem — e devem — fortalecer essas práticas no cotidiano das famílias, oferecendo orientação, acolhimento e oportunidades para que crianças cresçam em ambientes mais seguros, afetivos e estimulantes. Santos tem avançado nesse debate ao integrar a pauta da primeira infância às políticas públicas e às agendas intersetoriais. Iniciativas voltadas à proteção integral, ao desenvolvimento infantil e ao fortalecimento dos vínculos familiares mostram que olhar para a infância é também uma forma de planejar o futuro. Cuidar da primeira infância não é apenas tarefa do poder público. É uma responsabilidade coletiva, que começa nas famílias, passa pelas instituições e se reflete na forma como organizamos nossas cidades e relações. Marcos Vinicios Santos. Estudante e pesquisador em Direitos Humanos.