[[legacy_image_336773]] Em coluna publicada em 7 de fevereiro, Maxwell Rodrigues faz uma interessante e válida análise de como a indústria de cruzeiros se desenvolve nesse momento e, especialmente, com relação aos seus produtos e atividades na costa brasileira, o que reflete a situação do setor também em outras partes do mundo. Porém me pareceu que o ponto sobre novas rotas por aí, mais precisamente na costa leste da América do Sul, requer uma outra análise. Eu me lembro bem de como eram os cruzeiros a partir de Santos nos anos 70 e 80. Naquela época, sem dúvida, tínhamos o que poderiam ser consideradas novas rotas de tempos em tempos. O mercado era pequeno, as tarifas não eram baratas e os navios precisavam oferecer mais do que Prata e Nordeste para continuarem atrativos fora das datas-chave de Natal (que geralmente abria a temporada) e Réveillon. Portanto, a partir de janeiro, cruzeiros para Manaus e para a Terra do Fogo partiam de Santos e Rio, assim como cruzeiros ao Caribe que o Eugenio C fazia (e chegou a fazer mesmo em julho). O Federico C ofereceu em uma temporada um cruzeiro à África do Sul também com embarque por aí, enquanto nessa mesma temporada, se não me falha a memória, o Eugenio partia em um cruzeiro pelas três Américas, com embarque em Santos/Rio e que chegou até Los Angeles via Canal do Panamá e retorno pelo Pacífico e Estreito de Magalhães. Eram cruzeiros mais longos, claro, mas bem mais variados do que a presente oferta de Buenos Aires, Salvador ou litoral fluminense. Sim, ultimamente foram acrescentados mais portos de embarque, mas ainda assim as rotas não vão muito longe e, de certa forma, são repetitivas (um dos motivos pelo qual eu tenho optado por não fazer cruzeiros na costa brasileira). Tem se discutido a possibilidade de cruzeiros o ano todo, mas quantas vezes pode-se oferecer Buenos Aires e/ou Salvador sem esgotar o mercado brasileiro e ainda mais em período sem férias escolares etc.? Se fosse possível expandir a oferta para outros mercados, especialmente o norte-americano, haveria mais garantia de sucesso ou talvez rotas verdadeiramente mais variadas. Mas, como já foi mencionado, como convencer os armadores a deslocar navios com garantia de lotação nos altos preços do verão no Hemisfério Norte para o Hemisfério Sul sem ter rotas que realmente façam uma diferença e lotação garantida? E Santorini, Mykonos, Palma, Dubrovnik, Pireu, Bergen, Copenhague, Hamburgo e La Coruña lotam de navios nos meses mais quentes também por contarem com apoio de governos regionais e federais. Poderia se argumentar que os portos brasileiros teriam menos concorrentes de outras armadoras, mas como provar que poderiam gerar os mesmos ganhos em meses supostamente mais frios, com mar mais agitado? Cruzeiros de inverno existem na Europa e frequentemente lotam, mas com listas de passageiros que geralmente incluem uma variedade de nacionalidades (me lembro de um que tinha 42 nacionalidades a bordo) que chegam aos portos de embarque por via aérea – muitos em voos de longa distância. Asiáticos assim como norte-americanos combinam uns dias no continente europeu com um cruzeiro pelo Mediterrâneo e são vários os portos que operam cruzeiros o ano todo, mas baseados na capacidade de atrair outros mercados com garantia.