(Dorivan Marinho/SCO/STF) Em qualquer democracia minimamente funcional, críticas a governos durante o mandato são tão normais quanto café forte em reunião de negócios. Governar envolve decisões difíceis, algumas acertadas, outras nem tanto. Quando surgem críticas, o mais sensato não é abafá-las, mas usá-las como termômetro. Se muitos reclamam, talvez existam problemas reais, e não apenas “mimimi coletivo”, como alguns governantes gostam de dizer. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Quando as críticas aumentam, geralmente há motivo concreto: economia fraca, promessas não cumpridas ou corrupção que parece promoção “leve três, pague dois”. Tentar silenciar críticas costuma funcionar como esconder bagunça no armário: por um tempo parece resolvido, até que a porta não fecha mais e tudo acaba caindo para fora. Cabe à oposição, à imprensa e à população exercer esse direito livremente, seja por meio de reportagens investigativas, debates públicos ou até comentários informais. A história mostra que mudanças importantes nasceram justamente dessas pressões. O caso Watergate, nos Estados Unidos, começou com jornalismo persistente. No Brasil, diversas denúncias de corrupção vieram à tona porque alguém resolveu perguntar o óbvio (infelizmente muitas acabaram sendo engavetadas). Não faz muito tempo algumas imagens historicamente conhecidas entraram em “recesso eleitoral”. Registros de encontros internacionais pouco convenientes, incluindo fotos ao lado de líderes com reputação, digamos, pouco alinhadas a eleições competitivas, sumiram do debate durante a campanha e reapareceram depois, descansadas e aparentemente liberadas para voltar à vida pública. Isso levanta uma questão essencial: informação pública nunca deveria deixar de existir, principalmente durante campanhas eleitorais. Se é verdadeira antes do voto, continua sendo durante e depois. Nesse cenário, o Judiciário deveria atuar como guardião da liberdade de expressão, sem filtros seletivos nem decisões oportunistas. Óbvio que nenhum governante ou candidato gosta de manchete negativa, mas faz parte do jogo. Eleitores informados comparam promessas e resultados e, às vezes, optam pela alternância de poder, mecanismo saudável para renovar ideias e evitar acomodação. No fim, democracia forte é aquela em que críticas circulam livremente, a sátira política continua firme e forte e ninguém precisa cochichar opinião. Porque, sejamos honestos, quando até piada política vira problema, talvez o problema não seja a piada. *William Horstmann. Engenheiro, ex-executivo e consultor