Imagem ilustrativa (Freepik) No Brasil de 2025, o crédito virou um luxo. E para quem empreende, virou um peso. Em vez de alavancar negócios, sufoca. O resultado? Um número cada vez maior de empresas com o nome sujo na praça. É o que revela o Indicador de Inadimplência do SPC Brasil e da CNDL: só em julho, o número de empresas inadimplentes cresceu 10,28% em relação ao mesmo mês do ano passado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Isso significa mais do que estatísticas. Significa que milhares de micro, pequenas e médias empresas — o coração da nossa economia — estão com dificuldades para manter o básico funcionando: luz acesa, estoque abastecido, folha de pagamento em dia. A média das dívidas passa dos R\$ 6,8 mil por empresa. E cada uma deve, em média, para quase duas credoras. É um círculo vicioso: sem crédito, não há fôlego; sem fôlego, cresce a inadimplência; com mais inadimplência, o crédito encarece ainda mais. A matemática é simples. A conta, amarga. O país enfrenta uma armadilha silenciosa, que é o alto custo do dinheiro. Os juros permanecem em patamares que não condizem com a realidade de quem produz. O capital de giro, que deveria ser uma ponte segura entre o caixa e o futuro, virou um abismo. E o sistema financeiro continua operando como se estivéssemos em plena estabilidade — como se houvesse margem para tantos empecilhos. Segundo a pesquisa da CNDL, metade dos empresários do comércio e serviços considera difícil — ou muito difícil — conseguir crédito. Estamos falando de empreendedores que geram emprego, pagam impostos e mantêm suas portas abertas num ambiente de constante instabilidade. A maioria deles depende diretamente do crédito para continuar existindo. O alerta do presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, é direto: sem atenção ao score do CNPJ, a empresa perde muito mais do que o acesso ao crédito. Perde também a confiança de parceiros, fornecedores e até clientes. E quem já tentou renegociar com o nome negativado sabe: o jogo muda, e não para melhor. É necessário, sim, que os empresários façam sua parte — gestão, controle, planejamento. Mas é ilusório pensar que a solução virá apenas da ponta do empresário. Sem uma política de crédito mais equilibrada, sem medidas que tornem o crédito minimamente acessível e previsível, vamos continuar assistindo ao encolhimento de empresas e ao crescimento da inadimplência como quem assiste à previsão do tempo: esperando a próxima tempestade. Porque é isso que virou empreender no Brasil: correr de nuvem em nuvem, torcendo para que não venha mais uma enxurrada de juros altos, carga tributária e burocracia. Até quando?