(Gerada por IA) Compreender a experiência de uma pessoa com deficiência é como mergulhar num mundo desconhecido para a maioria de nós. Assim tem sido comigo, que desde que conheci o poeta Rick Avelino tenho buscado romper a bolha dos meus “achismos” e do preconceito velado. É, parece que este artigo vai trilhar caminhos pedregosos, deixando de lado o convite para bailar que encontramos nos versos de A Dança do Rei, do livro Coração de um Poeta. Instigo o leitor a ler para me ajudar a entender como uma pessoa que perdeu seus movimentos ainda na infância consegue descrever com tanta sensibilidade o ritmo e a alegria do bailar. A causa da inclusão social das PcD definitivamente entrou na minha vida quando entendi que não era sobre elas que eu precisava falar, mas sobre mim e sobre a sociedade que teima em invisibilizar essas pessoas. Vamos aos números, pois já disseram que “contra números não há argumentos”. Dados sobre PcD coletados pela Pnad Contínua de 2022 revelam que, no Brasil, 18,6 milhões de pessoas com 2 anos ou mais de idade tinham algum tipo de deficiência. A taxa de analfabetismo nesse grupo foi de 19,5%, enquanto entre as “pessoas sem deficiência” essa taxa foi de 4,1%. Apenas 25,6% das PcD tinham concluído, pelo menos, o Ensino Médio, ao passo que 57,3% das “pessoas sem deficiência” tinham esse nível de instrução. A taxa de participação no mercado de trabalho das “pessoas sem deficiência” foi de 66,4%, já entre as PcD essa taxa era de apenas 29,2%, e por aí vai. Onde estão essas pessoas? Por que ainda é pouco comum esbarrarmos com elas nas escolas, igrejas, supermercados, teatros ou nos bailes da vida? E quando as encontramos, não sabemos como lidar e dialogar. Defender a acessibilidade física é apenas a ponta do iceberg. Entender o que é acessibilidade atitudinal é trocar o comportamento de compaixão por atitudes que dão voz e liberdade às PcD para escolherem onde querem estar, o que querem fazer, sonhar e realizar. Batalhar por uma sociedade mais justa e inclusiva parece um trabalho de formiguinha, mas tenho encontrado pessoas de diferentes tribos fazendo coisas incríveis. A Casa das Culturas de Santos, por exemplo - espaço público histórico lindíssimo - está abraçando essa causa e, em breve, promoverá um sarau cultural reunindo, não só o próprio poeta Ricardo Avelino, mas outros representantes desse movimento que valoriza a arte e a pluralidade. Um viva à diversidade! A jornada continua. *Ana Paula Christo Mendes. Jornalista e gestora de projetos sociais