(Unsplash) Stalking vem do inglês e significa perseguição. Uma perseguição obsessiva, implacável, com envolvimento amoroso e uma tentativa perversa de controle. Não era crime nos Estados Unidos até a década de 1990. Não é crime previsto em nosso Código Penal. Nas últimas semanas, pipocam notícias sobre crimes cometidos em nome do amor: uma moça chamada Isabelly, no norte do Paraná, foi atacada por outra moça, de idade semelhante, que usou uma solução de soda cáustica visando deformar a “rival”. O que motivou o ataque? Ciúmes obsessivos do relacionamento passado do namorado. Síndrome de Rebeca. Ciúme patológico e retroativo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em Minas Gerais, um médico denunciou uma ex-paciente que alega ter se envolvido romanticamente com ele e que passou a ter um comportamento perseguidor sistemático, chegando a enviar 1.300 mensagens para ele num mesmo dia. Uma série foi lançada, chamada Bebê Rena, que também aborda o amor obsessivo de uma jovem que entra num bar sem dinheiro para um chá e recebe atenção e uma bebida do bartender, o que vai gerar um inferno na vida do rapaz, chamado Donny. Ela começa a visitá-lo no trabalho todos os dias e, ao pesquisar a moça na internet, descobre que ela é uma stalker condenada por perseguir vários outros caras. Vou fazer um reparo aqui: o stalking é muito mais comum em homens, relativamente incomum em mulheres. Mas as séries e filmes sobre homens perseguidores de mulheres são muito menos objeto de atenção do que dramas onde a mulher é a ameaça. É só puxar pela memória, além de Bebê Rena, temos Atração Fatal, de 1987, onde um executivo tem um caso de fim de semana com uma mulher misteriosa, que depois se recusa a terminar o relacionamento e passa a persegui-lo, jogando ácido do seu carro, matando o coelho de sua filha, ou seja, um inferno. Entretanto, estalquear, perseguir, ameaçar e em casos extremos, agredir e matar são atividades muito mais frequentes no sexo masculino, perseguindo geralmente ex-mulheres e ex-namoradas. Geram menos comoção do que deveriam. Agora, a moça de Minas, até para o Fantástico foi. Stalking não é fuçar as redes sociais do ex. Stalking se caracteriza por atos invasivos como ligar várias vezes ou inundar celulares e e-mails com mensagens. Visitas não combinadas e invasão de espaço da pessoa assediada. Controle de todos os seus passos e vigilância obsessiva de suas atividades. Ameaça ou agressão a pessoas próximas, sobretudo se envolver relacionamento afetivo, mas a importunação se estende para familiares, amigos, colegas. O stalker pode também postar informações, fofocas ou denúncias contra a vítima, se ela se recusa a atender sua demanda amorosa. *Marco Antonio Spinelli. Médico com mestrado em Psiquiatria, psicoterapeuta de orientação junguiana e escritor