(Divulgação) Cidade do interior, daquelas que pararam no tempo. Numa praça bucólica: aposentados sentados conversando; pipoqueiro rodeado de crianças; sinos tocando na torre da igreja; beatas a caminho da missa. Em torno da praça apenas alguns estabelecimentos comerciais. Sabendo do aniversário do seu sobrinho, Elisa perguntou-lhe o que ele gostaria de ganhar de presente. De imediato, Bruno respondeu: “Um jogo de futebol de botão”. Com poucas opções no comércio local, ela entrou no único minimercado que havia na cidade. Na entrada, um cartaz curioso: “De linguiça a parafusos, aqui se tem de tudo”. Ao ver uma funcionária repondo o estoque, perguntou-lhe: “ Estou precisando comprar um jogo de futebol de botão. Você poderia me informar a seção de brinquedos?” Atenciosa, com um sotaque caipira, respondeu: “No último corredor”. Seguindo o itinerário, não encontrou o brinquedo que desejava. Desapontada, voltou a questioná-la. Muito gentil, a jovem Adelaide se prontificou a acompanhá-la. Chegando ao local, se virou para ela e disse: “Aqui está o carrinho de mão”. Sem entender o dialeto, agradeceu e foi saindo. Na porta, outro cartaz curioso: “Compre ração Colibri, seu gato vai sorrir”. Pensativa, ficou imaginando o que a teria oferecido se tivesse pedido a tal ração Colibri. Provavelmente, um abacaxi. No dia seguinte, Elisa se dirigiu até a cidade mais próxima e adquiriu o brinquedo. O tempo passou e a notícia de que seria inaugurado um supermercado na cidade deixou a população eufórica. Não se falava outra coisa. Até o padre Lúcio, em seu sermão dominical, mencionou a tal novidade. No dia da inauguração, andando pelos corredores, entre eles o do setor de jardinagem, Elisa se deparou com a jovem Adelaide, aquela do minimercado. Vendo-a toda estilosa, de uniforme e crachá, não resistiu: aproximou-se e puxou conversa. Toda eufórica, foi dizendo: “De macarrão até canecão, aqui se tem de tudo”. Nestes corredores laterais serão inauguradas lojas de franquias. Entre elas, cafeteria, farmácia, restaurante, óptica, lotérica e um tal de O Boticário. Vou aproveitar para fazer um tratamento “dentário”. A senhora não acha maravilhoso? *Carlos R. Ticiano. Articulista e romancista