(Adobe Stock) Houve um tempo em que a luta era muito concreta. Nunca foi fácil, mas era mais clara: as mulheres queriam votar, trabalhar, ter independência econômica e ser valorizadas tanto quanto qualquer homem. Durante décadas, geração após geração, nós pressionamos, resistimos e conquistamos. Transformamos em realidade o que, na época, parecia um sonho e convertemos em direito o que parecia um privilégio inalcançável. Cada época nos trouxe um desafio único, obstáculos que pareciam insuperáveis. Em todos esses momentos, a mulher encontrou uma forma de avançar. Com resiliência, inteligência e com um sorriso que não era ingenuidade, mas, sim fortaleza. Hoje não é diferente. Vivemos em um mundo que se move em uma velocidade que desafia nossa capacidade de adaptação. A crise do tempo atravessa a todos, independentemente de gênero ou situação pessoal. Muitas vezes sentimos a pressão de responder a múltiplas responsabilidades simultâneas, buscando estar presentes no trabalho e na vida pessoal e familiar. A inteligência artificial avança mais rápido que nossas leis, a privacidade se corrói e o individualismo se instala como norma, enquanto a empatia, por vezes, retrocede. A agenda clássica do feminismo nos deu direitos, e o fez com razão e urgência. Mas a pauta de hoje nos convida a ir além e construir as condições reais para exercer esses direitos com plenitude — com qualidade de vida, com tempo e sem a culpa permanente. Somos nós, mulheres, que historicamente olhamos com mais atenção para o custo humano das decisões. Somos as que reconhecem o tecido invisível que sustenta as sociedades e as que se recusam a avançar deixando para trás o que mais importa. Neste Mês Internacional da Mulher, destinado a dar visibilidade às problemáticas que ainda enfrentamos, reiteramos nosso compromisso com a busca por uma melhor qualidade de vida para as pessoas, da mesma forma que nossas mães, avós e as gerações que nos precederam enfrentaram os desafios de suas próprias realidades e contexto histórico. Este olhar é, hoje mais do que nunca, o que o mundo precisa. O Mês Internacional da Mulher não serve para celebrar conquistas como se o trabalho tivesse terminado. Serve para reconhecer o quanto avançamos, honrar o caminho que outras abriram antes de nós e renovar o compromisso de seguir construindo — juntas — um mundo mais justo e mais humano. A cada mulher que hoje enfrenta um desafio que lhe parece grande demais, peço que se olhe no espelho e veja ali a herdeira de todas aquelas que já venceram o impossível. Siga em frente, pois quando as mulheres avançam, o mundo aprende a avançar conosco. *Marlene Fernandez del Granado. Vice-presidente corporativa de Relações Governamentais e líder do Comitê de Diversidade e Inclusão da Arcos Dorados