(Reprodução/Instagram) A série Adolescência, um verdadeiro fenômeno de audiência não apenas no Brasil, mas no mundo todo, traz à tona uma reflexão urgente: estamos realmente preparados para lidar com a nova realidade digital? Em tempos de redes sociais e algoritmos que parecem saber mais sobre nós do que nós mesmos, fica a dúvida — como equilibrar o acesso ao mundo virtual sem comprometer a socialização e o bem-estar das novas gerações? Proibir terminantemente o uso de celulares e redes sociais para crianças e adolescentes parece uma solução drástica. Afinal, transformá-los em estranhos no ninho dentro do próprio círculo social pode ser tão problemático quanto a superexposição digital. Se todos os amigos e colegas vivem conectados, como explicar que eles devem viver offline? O risco de isolamento é real e pode, ironicamente, levar a outro tipo de bullying: o dos que não sabem o que é um meme viral ou nunca participaram de um grupo no WhatsApp da turma. Tiro no pé, talvez? Diante desse dilema, surge a grande pergunta: o que fazer? Escolhemos a frigideira ou o fogo? De quem é a responsabilidade por esse dilema digital? Devemos confiar apenas nos pais para orientar seus filhos ou cabe ao Estado também intervir? A resposta, como na maioria dos debates polêmicos, está no meio-termo. Os pais têm o dever de ensinar valores, estabelecer limites e mostrar que a internet pode ser tanto um parque de diversões quanto uma selva cheia de armadilhas. Já o Estado, por sua vez, precisa criar regulamentações que protejam sem censurar, garantindo um ambiente digital mais seguro e menos propenso à manipulação. E não para por aí. As gigantes da tecnologia, donas das redes sociais precisam ser chamadas à responsabilidade. Hoje, os algoritmos nos entregam apenas aquilo que reforça nossas crenças, nos trancando em bolhas de pensamento que alimentam a polarização. Se queremos um mundo digital mais plural e menos tóxico, as plataformas devem ajustar suas engrenagens para permitir que os usuários enxerguem diferentes pontos de vista — e não apenas um festival de opiniões iguais às suas. No fim das contas, a missão de educar as novas gerações no universo digital é compartilhada. É um trabalho conjunto entre famílias, escolas, governos e, claro, as próprias plataformas. Porque, sejamos sinceros, a tecnologia veio para ficar — mas deve servir ao ser humano, e não o contrário. Não podemos ser seus reféns. *William Horstmann. Engenheiro, ex-executivo e consultor