( Marcelo Camargo/Agência Brasil ) É fato que o comportamento empreendedor, especialmente no século 21, é muito mais importante do que ter emprego ou estar empregado. Como defende o influenciador digital Rick Chesther, empreender substitui a ideia de “trabalhar por conta” ou “rodar sua engrenagem”. Primeiramente, porque o empreendedorismo é um estado de ser, enquanto o emprego é um estado de ter ou estar, ou seja, ou você tem um emprego ou está empregado. Já o empreendedorismo é um traço que define quem você é. Estas diferenças sutis fazem toda a diferença, pois ser empreendedor não é um dom nato ou mera herança comportamental. É o resultado de traços que podem — e devem - ser desenvolvidos. Ser empreendedor é frequentemente confundido com ser empresário. Especialmente aqui é bom deixar claro que nem todo empresário é empreendedor, e nem todo empreendedor precisa ser empresário. O empreendedor se caracteriza pela sede de risco e seus benefícios, pelo desejo de controle e pela iniciativa de criar algo novo. É quem enxerga oportunidades onde ninguém vê, realiza proativamente e transforma sonhos em ações concretas. Conheço empresários que não têm esse perfil e profissionais empregados que demonstram comportamentos genuinamente empreendedores. Este comportamento, com foco no protagonismo e na autonomia, precisa ser incentivado. No entanto, a maioria das pessoas ainda busca estabilidade em empregos tradicionais e cargos na hierarquia clássica, que privilegiam o poder mais do que a ação empreendedora, por considerarem o emprego mais seguro e estável. Sem dúvidas, trata-se de uma visão advinda da herança de gerações anteriores, que viam o emprego como o caminho mais garantido para a prosperidade. Certamente, no século passado, isso podia ser verdade. Contudo, hoje, o comportamento empreendedor é a alternativa mais promissora, além de fator crítico de sucesso. Os defensores do emprego mencionam benefícios como salário fixo, direitos trabalhistas e vantagens como previdência social, férias, décimo terceiro salário, FGTS e benefícios extras (vale-refeição, convênios etc). Já o empreendedor conta apenas com a remuneração pelo trabalho realizado, enquanto o lucro, reflexo do risco assumido. Quanto maior o risco, maior o retorno - um benefício merecido pelo que ele ajudou a construir. O fato é que, independentemente do vínculo, seja empresário ou parte de uma equipe, o comportamento empreendedor será indispensável no século 21. *Orlando Pavani. Consultor em comportamento humano