(Unsplash) Um dia me disseram que as coisas são válidas até o quanto duram. E o amor, dura quanto? E o compromisso? E a simpatia? E o respeito? E o bem querer? São tantas as coisas que poderíamos bem utilizar e que não têm data de validade, não é mesmo? Elas seriam, isso sim, instrumentos para a boa convivência. Essa história de que coexistir tem data para perder a validade é mentira mesmo, pura falácia de pessoas que estão infelizes e que não veem a hora para deixar de conviver, porque, de fato, não sabem o dom sublime da humildade, da pureza, da simplicidade que garantem o toque das mãos, o abraço e o beijo carinhoso. A vida é um constante aprendizado e, muitas vezes, nos deparamos com situações que nos fazem questionar a validade das coisas. Ainda insistimos que tudo tem prazo de validade. Será que o amor, o respeito e a simpatia expiram com o tempo de uso? Certamente que não. Essas são qualidades que devemos cultivar diariamente, sem nos preocuparmos com o tempo. É só, penso eu, aproveitá-las com sabedoria e as teremos para sempre, certo? O amor, por exemplo, é um sentimento que pode durar uma vida inteira, se for bem cuidado. Não há uma fórmula mágica para mantê-lo vivo, mas pequenos gestos de carinho e de compreensão podem fazer toda a diferença. Os compromissos para com nosso bem viver tornam-se escolhas que podemos praticar todos os dias. É a decisão de estar presente, em comunhão com nossos semelhantes, de apoiar quem precisa de ajuda ou de atitudes de carinho e compartilhar momentos, sejam eles bons ou ruins. A simpatia e o respeito são fundamentais para a boa convivência. São atitudes que demonstram consideração pelo outro e que ajudam a construir relações saudáveis e duradouras. E o bem querer, esse sentimento genuíno de desejar o melhor para o próximo, é algo que não tem preço. É uma forma de querer bem e que transcende o tempo e as circunstâncias. Infelizmente vivemos em uma sociedade que valoriza o descartável. Tudo parece ter um prazo de validade, desde os objetos que usamos até as relações que construímos. Mas será que precisamos aceitar essa lógica? Será que não podemos buscar um caminho diferente, onde o que realmente importa são os valores e os bons e saudáveis sentimentos? Acredito que podemos escolher viver de forma mais consciente, valorizando o que realmente importa. Podemos optar por sermos mais humildes, mais puros e mais simples. Afinal, a vida é feita de momentos e são esses mágicos instantes que nos definem. Não importa quanto tempo durem. O que vale é a intensidade com que os vivenciamos. E se bem existimos com a prática do amor, do respeito e da simpatia, estaremos construindo um legado que transcende o tempo. Com profundo respeito e, para terminar, devo dizer: tenho dito! * Professor, escritor, membro da Academia Santista de Letras e presidente da Contemporânea Projetos Culturais