(Pixabay) Participei de um evento internacional em que a colaboração entre governos, instituições, iniciativa privada e comunidade foi considerada fundamental para o desenvolvimento sustentado dos países. Colaborar significa trabalhar em comum com outrem, ajudar, auxiliar. Embora seja um verbo que não precisa de complemento para transmitir uma informação completa, colaborar exige muitos complementos, que incluem: boa vontade, competência, empatia, comprometimento e capacidade para atuar em equipe, entre outros. Num mundo competitivo, onde interesses corporativos, vaidades, oportunismo e ideologias vivem em constante confronto, colaboração, em sentido amplo, parece um sonho distante, quase um devaneio. Às vezes ela só ocorre em situações de crise, quando todos são afetados indiscriminadamente por um mal. Mesmo assim, ainda há quem tire proveito delas: pessoal, político ou financeiro. A colaboração, quando efetiva, agiliza processos, amplia benefícios ou reduz impactos negativos. Infelizmente, nem todos estão dispostos a colaborar, ao menos não de forma espontânea, proativa ou desinteressada. Há aqueles que se omitem apenas para, depois, dizerem que uma decisão foi errada, que fariam melhor se estivessem no comando. Há os que, enquanto avaliadores, apontam erros, emperram ou inviabilizam propostas, por abuso ou mau uso de poder, ideologia ou mera vaidade, com a intenção de impor suas ideias ou obter vantagens ilícitas. Uma frase antiga, mas sempre atual, explica esse tipo de atitude: “Criar dificuldades para vender facilidades”, porém, os empecilhos podem ser apenas negativas rotundas. Uma atitude colaborativa, auxiliaria a resolver os problemas identificados ou lacunas a serem preenchidas. Ao menos justificaria discordâncias de forma lógica, dialética, baseada em conhecimento e não em crenças pessoais radicais. Não é fácil ser isento, competente e colaborativo. Dependendo do contexto, isso pode ser mal interpretado por preconceitos arraigados na sociedade atual. Há quem peça colaboração quando é de seu interesse, mas a nega quando não é protagonista ou não enxerga nenhuma vantagem pessoal nisso. Há os que agregam valor e os que torcem pelo fracasso, ignorando as consequências difusas, que podem ser muito graves. Daí, colaborar envolve um pouco de altruísmo. Só que também é preciso saber qual o objetivo da colaboração, identificando claramente os objetivos da ideia ou do empreendimento. É fácil criticar, julgar. Difícil é praticar! Assim, colaborar deveria ser um verbo conjugado apenas na primeira pessoa do plural do presente do indicativo: Nós colaboramos! *Escritor, engenheiro, pesquisador universitário e membro da Academia Santista de Letras