De 2015 a 2023, houve um crescimento de 84,3% no número de procedimentos realizados na saúde suplementar (Reprodução/Pixabay) A obesidade, um problema de saúde que já atinge proporções epidêmicas, tem se tornado uma condição cada vez mais comum entre a população global. Nos últimos anos, a prevalência de obesidade entre os beneficiários de planos de saúde no Brasil aumentou significativamente, com quase um quarto dessa população sendo afetada. Nos casos mais graves, onde o Índice de Massa Corporal (IMC) ultrapassa 40 kg/m², ou acima de 35 kg/m² associado a comorbidades como diabetes e hipertensão, a cirurgia bariátrica tem sido cada vez mais considerada uma opção viável para salvar vidas. A cirurgia bariátrica, que consiste em procedimentos no estômago e intestino para promover uma perda de peso significativa, tem se mostrado eficaz não apenas na redução do peso, mas também na melhora de condições como diabetes tipo 2, apneia do sono e hipertensão arterial. Essas cirurgias, além de serem uma ferramenta vital para a saúde a longo prazo, também representam um avanço tecnológico e científico, evoluindo desde os anos 1950 e se tornando menos invasivas com o tempo. No Brasil, as diretrizes para a realização da cirurgia bariátrica são rigorosas e seguem padrões globais estabelecidos por organizações de saúde. O Conselho Federal de Medicina (CFM) estabelece critérios específicos, como a falha no tratamento clínico da obesidade por pelo menos dois anos e a necessidade de acompanhamento multidisciplinar. Essas normas refletem a complexidade do tratamento da obesidade, destacando a importância da cirurgia bariátrica na gestão dessa condição crônica. Entre os principais tipos de cirurgias bariátricas realizadas, o bypass gástrico se destaca como o "padrão ouro", promovendo alterações significativas no sistema digestivo e hormonal que contribuem para a perda de peso e melhora metabólica. Outras técnicas, como o sleeve gástrico e a derivação biliopancreática com switch duodenal, também são utilizadas, cada uma com suas especificidades e indicações baseadas na gravidade da obesidade e nas necessidades individuais dos pacientes. O aumento no número de cirurgias bariátricas nos últimos anos é notável. De 2015 a 2023, houve um crescimento de 84,3% no número de procedimentos realizados na saúde suplementar, passando de 28.470 em 2015 para 52.467 em 2023. Esse crescimento foi particularmente acentuado durante a pandemia, quando, apesar das restrições, o número de cirurgias continuou a subir, refletindo a crescente demanda por esse tipo de intervenção. Esses dados reforçam a importância da cirurgia bariátrica como uma resposta eficaz à obesidade severa, demonstrando seu papel crucial na saúde pública. *Jornalista, radialista e filósofo