Imagem ilustrativa gerada por IA (Freepik) Nascido no Carnaval de 1975, quando as TVs não tinham controle remoto; e poucos as possuíam em casa. Quem tinha, muitas vezes recebia vizinhos e parentes para assistir aos jogos de futebol, concursos de Miss ou telenovelas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Telefones eram artigos de luxo. O rádio reinava. Computadores eram coisa de outro mundo. Máquinas de escrever eram a grande ferramenta e, na minha lembrança, ao ouvir a palavra computador, imaginava a máquina gigantesca na “Sala da Justiça” com uma supertela, como nos desenhos animados da Hanna-Barbera. Agora, pesquisando no Google, plataforma então inimaginável, a primeira exibição dos Superamigos no Brasil foi na Globo, exatamente no ano de 1975. Vieram os anos 80, telefones continuavam um luxo, mas popularizados com planos de expansões das telefônicas. Nos anos 90, as máquinas de escrever se tornaram obsoletas, peças de colecionadores. Ao cabo deles, era homem feito. Advogado formado. Fazia minhas petições em computadores, guardava arquivos-modelos em disquetes, pesquisava jurisprudência em bibliotecas digitais; mudanças que aposentaram muitos dos que não se adequaram às novas linguagens. De sorte que, quem antes apagava textos, dali para a frente deletaria, graças à máquina. Os telefones de difícil acesso se tornariam obsoletos frente aos celulares que evoluíam no mercado como novo objeto de desejo e consumo de todos. Revolucionaram a comunicação. Nos anos 2000, a internet rapidamente se tornou um lugar onde todos estão o tempo todo. Surgem as primeiras redes sociais como o Orkut, denominação nada familiar aos costumes da época e era popularmente audível e confundida com “iogurte”. As campanhas políticas deixam as ruas de barro e asfalto, partem às ruas digitais, em canais de comunicação virtual. As TVs não são tão mais importantes nas vidas das pessoas, tampouco os telefones. Entre 2010, 2020 e 2025, os celulares deram lugar aos smartphones. Nossa geração, dos cinquentenários, talvez seja a que viveu as mudanças mais radicais da história. Ninguém mais está livre da parafernália. Nela, a mãe assiste ao filho na câmera da escola. Por ela, o médico atende e opera o paciente à distância. O músico compõe o novo sucesso. O advogado, o juiz e o promotor têm audiências em tempo real e a filha, que mora do outro lado do mundo, vê e conversa com os pais, tal qual faziam Os Jetsons nos anos 80. Aliás, a primeira exibição de Os Jetsons no Brasil foi em 1963, quando não mensurava e levava a sério que esse futuro deles era tão possível.