(Joedson Alves/Agência Brasil) A indústria do tabaco, ávida por reconquistar o mercado de consumidores no escape do seu controle, não mede esforços em artimanhas para aliciar o público desatento e mal-informado, fascinando jovens e adultos e se valendo do forte apelo midiático. Enquanto iludidos se recusam a acreditar nos males ainda mais graves do cigarro eletrônico, a ciência tem comprovado a evidência de danos sérios à saúde acarretados por produtos sedutores e aromatizados, atraindo, infelizmente, os adolescentes. O cigarro eletrônico apresenta riscos reais, contrariando a falsa percepção de que é alternativa segura em relação ao cigarro convencional. Nos anos 1980, o Brasil apresentava índices alarmantes: 35% da população era tabagista. Graças a políticas sérias e eficazes, como a proibição da propaganda e o aumento do preço do cigarro, então entre os mais baratos do mundo, atualmente, menos de um dígito percentual de brasileiros fuma. Estudo científico recente realizado em Santos pela Coalizão Comunitária de Prevenção às Drogas, em parceria com a Diretoria Regional de Ensino da Secretaria de Estado da Educação, revelou que 6,6% de jovens, em universo de 12 mil estudantes entre 11 a 17 anos, já experimentou ou faz uso do chamado vape. A pesquisa completa foi apresentada recentemente em concorrida audiência pública na Câmara Municipal, alertando para o preocupante problema de saúde pública. O estudo também aponta que cerca de 30% dos adolescentes já consomem bebidas alcoólicas, comprovando a necessidade urgente de ações articuladas de proteção especialmente à faixa etária. Em inúmeras localidades no mundo, coalizões comunitárias de prevenção têm alcançado avanços significativos sensibilizando gestores públicos e sociedade a caminharem de maneira integrada, superando diferenças e somando esforços. Projetados para simular a experiência do cigarro convencional, os dispositivos eletrônicos liberam um vapor inalado, proporcionando sensação semelhante à fumaça do tabaco. A carga de nicotina pode equivaler ao consumo de até 20 cigarros tradicionais, podendo atingir até 1.500 tragadas, equivalente a cinco maços de cigarro comum, verdadeira “bomba” a dizimar a saúde de forma progressiva e silenciosa. Embora a venda seja proibida pela Anvisa desde 2009, eles continuam a circular livremente comercializados, à margem da lei, como se droga não fossem. Mensagens ardilosas se multiplicam nas redes sociais e a propaganda agressiva encontra terreno fértil diante à fragilidade da fiscalização no Brasil – problema evidenciado diante da trágica adulteração de bebidas destiladas com metanol, evidenciando a negligência regulatória em nosso País. É hora de agir com estratégias de prevenção práticas e competentes. A saúde e a vida não podem continuar sendo sacrificadas nos altares do lucro. *Eustázio Alves Pereira Filho. Psicólogo clínico, presidente da Coalizão Comunitária Santos sobre Drogas, vice-presidente da Academia Santista de Letras e ex-vice-prefeito de Santos