(Reprodução) Nos últimos anos, a neurodiversidade vem deixando de ser um tema periférico para ocupar espaço relevante nas discussões sobre carreira, produtividade e saúde mental. Condições como transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), transtorno do espectro autista (TEA) e altas habilidades/superdotação passaram a ser mais reconhecidas, impulsionadas por maior acesso à informação e pelo avanço dos diagnósticos, que têm permitido a muitos adultos compreender, ainda que tardiamente, seu funcionamento cognitivo. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O diagnóstico deve ser sempre conduzido por profissionais habilitados, como psiquiatras e neuropsicólogos. A identificação adequada não apenas organiza a compreensão sobre o indivíduo, mas também orienta intervenções terapêuticas eficazes, contribuindo para a redução do sofrimento psíquico. O desafio se intensifica quando olhamos para o mercado de trabalho. O modelo tradicional de carreira não foi desenhado para lidar com diferentes padrões de atenção e produtividade. Como resultado, profissionais neurodivergentes frequentemente enfrentam dificuldades de inserção, adaptação e permanência em suas empresas, levando muitas vezes a uma sobrecarga emocional. Apesar dos avanços em diversidade, equidade e inclusão (DEI), a neurodiversidade ainda é pouco integrada às estratégias organizacionais. Muitas empresas continuam focadas em agendas mais consolidadas, como gênero, raça e deficiência, deixando de explorar o potencial estratégico da inclusão cognitiva. Esse cenário tende a ganhar novos contornos com a entrada em vigor, em maio deste ano, da atualização da NR-1, que reforça a obrigatoriedade da gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho. A medida exige que empresas olhem com mais atenção para fatores que impactam a saúde mental dos colaboradores — incluindo condições relacionadas à neurodivergência. Organizações que se anteciparem a esse movimento obterão ganhos relevantes. Profissionais neurodivergentes frequentemente apresentam alta capacidade analítica, criatividade e hiperfoco. Ajustes simples, como flexibilização de horários, revisão de processos seletivos e adaptação de ambientes, podem ampliar o acesso e retenção desses talentos. Mais do que cumprimento de exigências legais, a neurodiversidade trata-se de uma oportunidade estratégica. Ambientes inclusivos tendem a gerar maior engajamento, reduzir a rotatividade e fortalecer a reputação corporativa. Ao incluir melhor, a empresa melhora como um todo — desde que essa estratégia seja genuína e construída com solidez, adaptação e meritocracia. Alexandre Hashimoto. Consultor empresarial e palestrante.