[[legacy_image_303682]] Há 65 anos surgia a bossa nova, influenciada de forma ainda discutível pelo jazz norte-americano. João Gilberto, Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Luiz Bonfá, Billy Blanco, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Sérgio Ricardo, Luiz Carlos Vinhas e Ronaldo Bôscoli, entre outros tantos jovens daquela época, inventaram um novo modo de compor e cantar o que pretendiam que fosse o som mais próximo deles, sem a dor de cotovelo e o sofrimento contidos nas canções que eram os sucessos naquela época. A bossa nova iniciou-se a partir do lançamento, em agosto de 1958, de um compacto simples do violonista baiano João Gilberto, contendo a canção Chega de Saudade, de Antônio Carlos Jobin e Vinícius de Moraes. Essa canção foi posteriormente gravada inúmeras vezes por artistas brasileiros e estrangeiros. A partir daí, a bossa nova era uma realidade. Além de Chega de Saudade, Jobim e Vinícius compuseram Garota de Ipanema, outra representativa canção da bossa nova, que se tornou conhecida em todo o mundo, com quase 200 regravações, entre as quais de Sarah Vaughan, Stan Getz, Frank Sinatra e Ella Fitzgerald. Jobim, junto com Newton Mendonça, também compôs as canções Desafinado e Samba de uma Nota Só, dois dos primeiros clássicos do novo gênero musical brasileiro a serem gravados também no mercado norte-americano a partir dos anos 1960. Em 1962, foi realizado um histórico concerto no Carnegie Hall de Nova Iorque, consagrando mundialmente esse estilo musical. Desse espetáculo participaram diversos artistas brasileiros como Tom Jobin, João Gilberto, Oscar Castro Neves, Agostinho dos Santos, Luiz Bonfá, Carlos Lyra, Sérgio Mendes, Roberto Menescal, Chico Feitosa, Normando Santos, Milton Banana e Sérgio Ricardo. Em meados da década de 1960, o movimento apresentaria uma espécie de cisão ideológica, destacando-se os compositores Marcos Valle, Paulo Sérgio Valle, Dori Caymmi, Francis Hime, Edu Lobo, Ruy Guerra, Marcos Vasconcelos e Nelson Motta. Inspirado em uma visão popular e nacionalista, esse grupo fez severas críticas às influências do jazz norte-americano na bossa nova e propôs sua reaproximação com compositores mais populares. Um bossa-novista, Carlos Lyra, aderiu a essa corrente, assim como Nara Leão, que promoveu parcerias com artistas do samba como Cartola e Nelson Cavaquinho, além de João do Vale, compositor de baiões e xotes nordestinos. O chamado “fim” da bossa nova foi determinado pelo aparecimento de uma difusa conduta musical que abarcaria diversas tendências da música brasileira, oriunda, também, dos festivais de Música Popular Brasileira. Rotulada MPB, reuniu artistas que pouco ou nada tinham a ver com a bossa nova, como Geraldo Vandré, Edu Lobo, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, além de intérpretes como Elis Regina, Gal Costa e Maria Bethânia. A produção musical destacou-se, também, pela excepcional qualidade da maioria das canções. A bossa nova, porém, superou o tempo e as tendências musicais posteriores, se consolidando como o mais sofisticado produto da música popular brasileira, apreciado por várias gerações do Brasil e do mundo, influenciando artistas das décadas seguintes à sua criação. Hoje continua cada vez mais nova, assumindo as idades daqueles que ainda ouvem e executam as suas belas e inspiradas canções.