[[legacy_image_263279]] A Região Metropolitana da Baixada Santista, mais uma vez, vem sendo palco de promessas políticas federais e estaduais envolvendo projetos de investimentos que não passam de discursos de boas intenções. Cada autoridade recém-eleita que chega à região para uma visita de cortesia anuncia propostas quem não dispõem de um único rabisco em papel e o assunto ganha manchete de jornais para iludir a opinião pública. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Nenhuma destas autoridades é capaz de fazer uma ligeira retrospectiva da pasta que acabou de assumir, inclusive para admitir a necessidade de reparação de outros compromissos anunciados anteriormente e que se tornaram sonhos de verão. A cereja do bolo, agora, voltou a ser a promessa de construção do túnel ligando as duas margens do estuário, num embate entre Estado e União. É o roto falando do esfarrapado. O Estado arrasta há dez anos o projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), uma obra que começou a ser orçada em 2012, em três fases, com investimentos da ordem de R\$ 1,8 bilhão, sob tutela da EMTU. Até agora não investiu um terço do valor previsto e o que se tem de real é a previsão da extinção da empresa, anunciada até em seu balanço. A União se vangloria do caixa que dispõe na Santos Port Authority (SPA), de cerca de R\$ 1,8 bilhão, mas se esquece que este resultado é obra da ineficiência histórica desta empresa. Entre 2013 e 2022, a SPA contou com um orçamento de R\$ 3,033 bilhões para investimentos e, neste período, só conseguiu realizar R\$ 954,7 milhões, o que justifica seus recursos em caixa. Mas, antes de prever a construção do túnel, precisa concluir as obras das perimetrais de Santos e Guarujá, igualmente atrasadas há mais de dez anos e que são prioridades para o Porto de Santos. Na área de turismo, o Estado agora alega que está concebendo um plano estratégico para incrementar a economia regional. Ocorre que, entre 2013 e 2022, o Tesouro Estadual deixou de repassar aos municípios locais R\$ 621 milhões do Fundo de Melhoria dos Municípios Turísticos, diante do silêncio sepulcral das nossas autoridades. Outro tema em voga de interesse regional é a proposta de privatização da Sabesp. Entre 2012 e 2021, conforme dados oficiais, esta estatal faturou R\$ 8,6 bilhões nos nove municípios da região e investiu, em idêntico período, R\$ 3,3 bilhões, ou 38,52%. Na renovação dos contratos de concessão, por mais 30 anos, porém, a Sabesp previu investimentos de apenas R\$ 5,7 bilhões, que devem corresponder a menos de 20% do faturamento projetado. Assim, em caso de privatização, não há dúvida que os futuros prefeitos irão revisar tais acordos. E enquanto o descaso com os investimentos regionais de grande porte já orçados e programados acontece e é oficialmente registrado na contabilidade pública, observamos nossos prefeitos e parlamentares correndo de um órgão para o outro em busca da conquista de emendas orçamentárias para tapar pequenos buracos de demandas setoriais. O Aeroporto de Guarujá é um exemplo típico. Vai precisar de verba de emendas parlamentares, de apoio federal e contrapartida municipal, mas, entre 2013 e 2022, a Prefeitura de Guarujá deixou de receber R\$ 120 milhões vinculados à verba de natureza constitucional das estâncias paulistas. Como se vê, ou os representantes da região agem com altivez na defesa dos nossos interesses, ou continuarão saboreando pastéis do Bar do Carioca na recepção das nossas autoridades.