[[legacy_image_322321]] Quando Leopoldo Galtieri, então líder da ditadura da Argentina, ordenou a invasão das Ilhas Malvinas em 1982, contava que a Organização dos Estados Americanos (OEA), principalmente os Estados Unidos, apoiassem sua iniciativa. Eram os estertores de um regime de exceção, que buscava no nacionalismo uma oportunidade de manter-se no poder. Deu no que deu... Naquela época, o Brasil interferiu apenas na interceptação de um bombardeiro Vulcan, britânico, que sobrevoava território nacional, sem maiores consequências militares ou diplomáticas, ao que consta. Agora, com motivos parecidos, embora mais por econômicos, o ditador Nicolás Maduro propõe um movimento similar, só que contando com o apoio da Rússia e sabe-se lá mais de quem. Qual será o teor da conversa com Putin? O mandatário sempiterno russo vai se arriscar em outro conflito, além da Ucrânia? Vai repetir Kruschev? Faço essa referência, pois vem à memória a crise dos mísseis de Cuba, em 1962, não para repetir, mas para evitar. A História nos dá exemplos que não podem ser olvidados. A Guiana (ex-colônia britânica), mantém vínculos com o Reino Unido e uma empresa dos EUA descobriu reservas de hidrocarbonetos na região, motivo do instantâneo interesse de Maduro, que tem no petróleo o sustentáculo econômico de seu regime de exceção. Aliás, lembrando, é ali por perto, que a Petrobras pretende explorar hidrocarbonetos, sob resistência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Exercícios militares dos EUA na região são um sinal de alerta? Está armado, portanto, um cenário preocupante de um possível confronto bélico na região. Até onde Maduro pretende ir? Forças Armadas brasileiras foram destacadas para a região fronteiriça com esses dois países, com o objetivo anunciado de impedir que o território nacional seja utilizado em incursões bélicas, no caso de um conflito. Quais serão as ações caso isso ocorra? Preocupa o fato do atual governo brasileiro ter afinidades com a ditadura venezuelana e outras ditaduras da América Central e Caribe. O cenário é preocupante, aparentemente mais complexo do que o de 1982, talvez mas próximo do de 1962. A esperança é de que o bom-senso, tão em falta nos tempos atuais, prevaleça, evitando um conflito de consequências nefastas, num ambiente mundial de polarização. Os radicalismos ideológicos e religiosos são cada vez mais frequentes e difusos, e não falta quem, por esses motivos ou interesses econômicos e estratégicos de domínio geopolítico, não se importe em lançar querosene no fogo, ou reacender brasas adormecidas, lucrando com o caos. Infelizmente, muitos desses líderes inconsequentes se unem a oportunistas para criarem um arcabouço que os protegem e tentam perenizá-los, numa nova forma de totalitarismo travestido de democracia. Esse modelo político tende a exaurir recursos, doutrinar jovens e, quando sente seu domínio ameaçado, tenta transferir problemas internos, decorrentes de seus próprios erros, para entes externos. A História é rica em exemplos de quanto isso pode ser terrível para a humanidade. Mas quem quer reescrever a História parece não se preocupar muito com isso...