[[legacy_image_310847]] Os dispositivos eletrônicos e o mundo virtual são cada vez mais presentes no cotidiano das pessoas. Jovens da geração Z praticamente já nasceram conectados e sequer conhecem um mundo sem internet. Essa imersão digital, ao mesmo tempo que abre novas possibilidades, desconecta as pessoas da realidade, impondo enormes desafios, principalmente para a Educação e o combate a uma forma global de violência: o bullying digital. Os debates e as restrições sobre uso de celulares e tablets em sala de aula ocorrem em todo o mundo. Países como a Finlândia, Holanda, Portugal e Estados Unidos já proíbem total ou parcialmente o uso de dispositivos eletrônicos no período escolar. O Relatório Global de Monitoramento da Educação 2023 da Unesco já aponta os riscos dos eletrônicos para a educação de crianças e jovens. No Brasil, um projeto de 2015, em análise na Câmara dos Deputados, visa proibir os eletrônicos em classe, com exceção para os utilizados para atividades relacionadas às aulas. No Rio de Janeiro, alunos da rede municipal de ensino já estão proibidos de utilizar celular em aula. Paradoxalmente, foi no próprio Rio, em uma escola privada, que o uso de dispositivos eletrônicos por estudantes mostrou sua face mais perigosa. Na última semana, cerca de 20 alunas foram vítimas de fake nudes criados por outros estudantes com uso de inteligência artificial e espalhados pela internet, por redes sociais. O abalo para as vítimas e os prejuízos para a reputação da escola ficaram evidentes. O colégio não conseguiu identificar ou evitar o problema. Para as escolas, estar em conformidade com a Lei 13.185/2015 (Lei do Bullying) é uma exigência e o próprio mercado vai extinguir as instituições que não se adequarem à lei e não estiverem preparadas para combater o bullying. Mas não basta a ação das escolas. A supervisão dos pais sobre o uso do celular pelos filhos é crucial para protegê-los de riscos como o bullying digital. Aqui, cito estratégias que os pais podem adotar. Sem programas ou aplicativos de controle parental, podemos falar em conversas regulares sobre os riscos do bullying digital, educação digital e as consequências de interações negativas na internet, navegação conjunta com os filhos em determinados períodos, revisão das configurações de privacidade, atenção a sinais como mudanças de comportamento e observação das atividades. Com programas ou aplicativos de controle parental, as estratégias englobam filtros de conteúdo por meio de aplicativos, restrição de downloads, logs de atividades (como tempo de tela, aplicativos usados e histórico de navegação), alertas de palavras-chave, limites de tempo, bloqueio remoto e localização e segurança, com rastreamento, o que pode ser útil em casos de emergência. Por fim, há o respeito ao direito de imagem dos colegas, com conscientização e responsabilidade digital, explicando aos filhos o conceito de direito de imagem, ilustrando o tema com exemplos cotidianos e relacionando-os com o mundo real, discutindo as consequências do bullying digital, enfatizando a responsabilidade pelos atos cometidos on-line, encorajando a empatia e a integridade e deixando claras as regras da sua casa. *Professora universitária, doutoranda em Bullying Digital, sócia do Siqueira Lazzareschi de Mesquita Advogados e diretora da ClassNet Consultoria