[[legacy_image_294312]] Meu amigo Eduardo Sanovicz, você se foi no último sábado. Na sua despedida, encontrei dezenas de pessoas, algumas que eu não via há muito tempo. Eram políticos, lideranças, militantes, mas principalmente amigos que você conquistou ao longo de uma vida curta, mas intensa. Fiquei a pensar: que maldade levar você tão cedo, quando tantos planos e sonhos estavam desenhados e começando a tomar corpo. Nos conhecemos há mais de 40 anos. A política nos aproximou e desde logo percebi que você era especial. Muito jovem ainda e com todas as manias dos anos 1980 – um dia, ao chegar em reunião em casa, minha filha avisou: “Mãe, chegou um moço de pijama!” – você já cativava pela personalidade única: determinado e ousado, mas alegre e bem-humorado, sempre sedutor. Você tinha consciência do que era e do que fazia. Gostava de estar entre aqueles que faziam e decidiam, falando e influenciando, mas não era a vaidade tola e fútil dos ignorantes. Seu orgulho, se assim posso dizer, dizia respeito aos seus valores e àquilo em que acreditava, e sabia, como poucos, fazer uso desses atributos. Você fez muita coisa por aqui, amigo. Foi político – não duvidando nunca de suas crenças, lutando até o fim por mudanças capazes de transformar o mundo, e transitou entre a esfera pública e privada, com competência. O turismo foi sua principal marca, mas você não via a atividade como mero entretenimento ou por seu potencial econômico: ela deveria ser um instrumento de melhoria efetiva da qualidade de vida das pessoas, principalmente aquelas com menor renda. Fico também lembrando da sua carreira acadêmica, com mestrado e doutorado, e exercendo o magistério na Universidade de São Paulo. Mas seu legado é muito maior do que suas realizações no Anhembi, na Embratur, na Reed Exhibitions, na USP. Ele diz respeito à sua generosidade e capacidade de estabelecer e cultivar as amizades, com sincera dedicação aos amigos, com os quais sempre tinha enorme prazer em estar e conviver. Vivi o seu drama há 20 anos, com o primeiro câncer linfático. Na mesma época, minha filha também passou por essa terrível experiência, e sua palavra, já em processo de cura, foi muito importante. Não me esquecerei jamais de um telefonema, no qual você disse: fique tranquilo, isso passa. Enche o saco, mas a gente tira de letra. Agora, infelizmente, as coisas foram piores, mas violentas, mais rápidas. E assim você partiu, deixando um grande vazio e uma enorme saudade. Alguns disseram que você agora descansa em paz. Discordo: você jamais irá descansar. Na eternidade, que não compreendemos muito bem, seu papel será o de lutar sempre, de não transigir, não se acomodar. Se será sua ação direta, do além, ou a sua memória e lembrança, não sei. De uma coisa, porém, tenho certeza: você viveu a vida muito bem. Fez o que queria, enveredou por diferentes rumos e caminhos, mas principalmente soube amar sempre, com intensidade e vigor, alegre, vibrante, entusiasmado. No seu aniversário de 60 anos, há três anos e meio, você convidou os amigos para a festa dos 70 anos, e avisou que seria em Santos, cidade do seu coração. Pois é, Edu, você foi embora antes. Mas fique certo de uma coisa: sua família e amigos não vão esquecê-lo nunca, e no dia 29 de janeiro de 2030 estaremos celebrando, com você, essa data.