(Reprodução/Pixabay) A festa mais popular do Brasil se aproxima trazendo cores, sons e a energia contagiante das ruas. Mas para milhares de familiares e pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), o Carnaval representa um desafio considerável, mesmo sendo um direito que deve ser garantido com responsabilidade e sensibilidade. Não se trata apenas de permitir o acesso, mas de criar condições reais para que essa participação seja segura, confortável e significativa. Como sociedade, temos o compromisso de assegurar todas as adaptações necessárias, para que a inclusão vá além do discurso e seja uma prática concreta em todos os espaços. As multidões, ruídos intensos, luzes piscantes e imprevisibilidade do Carnaval podem gerar sobrecarga sensorial. Os profissionais do Centro TEA Paulista, equipamento da Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência inaugurado em junho passado, orientam que quando houver o desejo de participar da festa, é preciso fazer um planejamento baseado em três pilares fundamentais: previsibilidade, ao mostrar e explicar detalhadamente no que consiste o evento; regulação sensorial, com o uso de óculos escuros, objetos para manipular e fones de ouvido com cancelamento de ruído; e interação social, preferindo blocos adaptados, matinês sensoriais ou horários alternativos com menor fluxo de pessoas. A segurança é outro fator que exige atenção especial. Utilize pulseiras ou crachás de identificação com nome, contato do responsável e indicação de TEA, além de combinar previamente o que fazer caso haja separação. Também é essencial estar atento aos sinais de desregulação: agitação excessiva, choro, tentativa de fuga ou isolamento abrupto. A recomendação é procurar imediatamente um local mais calmo, afastado de ruídos e aglomerações. Às vezes, o melhor acolhimento é encerrar a participação sem culpa ou frustração. Essas orientações estão respaldadas pela Lei Brasileira de Inclusão e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, que asseguram o direito à convivência social, ao lazer e à cultura para todas as pessoas. Mais do que obrigações legais, são compromissos éticos com uma sociedade que valoriza a neurodiversidade. A verdadeira folia acontece quando todos podem estar presentes, cada um à sua maneira, com dignidade e alegria. *Marcos da Costa. Secretário estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência