[[legacy_image_307225]] A maioria das pessoas costuma relacionar câncer de mama com o histórico familiar. Mas a verdade é que os quadros hereditários representam apenas de 5% a 10% de todos os casos. Os dados são do Instituto Nacional do Câncer (Inca): cerca de 80% dos casos de câncer são relacionados a causas externas. Em outras palavras, são provocados por mudanças ambientais e pelos hábitos e estilo de vida dos pacientes. O lado menos triste desta história é que o fato de serem relacionados a causas externas torna esta realidade mais fácil de ser combatida. O câncer de mama é o tipo que mais acomete mulheres em todo o mundo, seja em países em desenvolvimento, seja em países desenvolvidos. Aproximadamente 2,3 milhões de casos novos foram estimados para o ano de 2020 em todo o mundo, o que representa cerca de 24,5% de todos os tipos de neoplasias diagnosticadas nas mulheres. No Brasil, de acordo com o Inca, foram estimados 73.610 casos novos de câncer de mama em 2023, com um risco estimado de 66,54 casos a cada 100 mil mulheres. Para completar as estatísticas, o câncer de mama é o primeiro no ranking de mortalidade por câncer entre as mulheres no nosso país (cerca de 18 mil óbitos) e são esperados mais 73 mil casos da doença de 2023 a 2025. Não há uma causa única para o câncer de mama. É claro que é necessário observar os aspectos internos, como condições imunológicas, hormonais e predisposições genéticas, mas também os hábitos de cada um. Entre os fatores de risco ligados ao comportamento, a obesidade é apontada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma das principais, seguida pelo sedentarismo e pelo consumo de álcool. É exatamente nesse ponto que temos que estar atentas e dispostas: manter o peso sob controle pode mudar esse panorama. A obesidade aumenta o risco de câncer porque ela eleva a produção de substâncias inflamatórias, causando alterações hormonais e metabólicas. De um modo geral, costuma ocorrer maior secreção de insulina, aumento de vasos sanguíneos, mudança na microbiota intestinal e elevação dos níveis de hormônios sexuais, como o estrogênio. Esse cenário gera um desequilíbrio no crescimento e morte de células. Sendo que as células cancerígenas acabam tendo um crescimento desordenado. Por isso, seguir um estilo de vida saudável é fundamental para a prevenção do câncer de mama. Isso quer dizer: adotar a prática de atividade física, não fumar, evitar álcool em excesso e seguir uma dieta equilibrada e que permita a manutenção de um peso saudável. Nenhum alimento por si só é capaz de evitar uma doença. Mas é fato comprovado que uma alimentação saudável e nutritiva pode ter uma ação preventiva. Além de seguir essas recomendações e de fazer os exames preventivos periodicamente, há mais uma ferramenta poderosa: os testes genéticos. Eles possibilitam a adoção de condutas precisas em relação a várias questões, como os comportamentos de fome e de saciedade, a propensão à obesidade e as respostas do organismo a diferentes tipos de dieta. Com o resultado em mãos, é possível traçar uma estratégia nutricional individualizada, capaz de alcançar resultados mais eficazes e duradouros. Nosso DNA não é uma sentença. Podemos mudar a expressão de um gene, torná-lo mais ou menos ativo, por meio da alimentação e da mudança de hábitos.