(FreePik) Os tempos estão mudando. Para nós, do século passado, fica a obrigação de nos adaptarmos a novos modelos, mundo globalizado, inteligência artificial, atividades digitais etc. Porém, sentimos aos poucos o distanciamento do ser humano em nossas vidas. Olhando outro dia minha caixa do correio, praticamente vazia por vários dias, havia apenas propagandas de comercio e serviços de gás e autônomos, que buscam atingir novos clientes com suas simples propagandas ou folhetos de supermercados mostrando suas ofertas. Lembro-me em outras épocas, talvez décadas de 1970 ou 1980, quando comprávamos cartões de Natal e aos poucos íamos escrevendo as felicitações, nome do destinatário e remetente. Tudo manuscrito, enquanto minha mãe e irmãos fechavam o envelope para levar na agência dos Correios mais próxima. Dia seguinte, com um volume de cartas, levava aos Correios, enfrentando uma enorme fila, todos com o mesmo propósito. Após a entrega, voltava para casa feliz, e às vezes preocupados em ter esquecido alguém. Nossa tática era guardar os cartões e envelopes para o ano seguinte para confirmação de endereço. O carteiro, nosso velho amigo, passava diariamente na rua, sempre trazendo correspondências e cartas. Às vezes pedia um copo d’água, dávamos uma garrafinha de água gelada, e assim fazia seu serviço feliz. Na época de Natal, recebíamos vários cartões de felicitações e ficávamos ao redor da mesa lendo as lindas mensagens, que depois serviam de enfeite para a nossa árvore de Natal. Nossa caixa do correio sempre estava com correspondência como boletos, conta de água e energia elétrica, multas de trânsito etc. Nessa época não tinha internet nem WhatsApp, era tudo manuscrito e a alegria era maior. Quando parentes mandavam cartas, descrevendo saudades e informando novidades, que logo após eram respondidas, era uma época de glamour, e um fato importante era a escrita manual, com bonitas caligrafias. Tenho recordações que quando era jovem me dediquei à filatelia. De tanto ir aos Correios levar cartas, comprava alguns selos e ia aumentando minha coleção. Selos comemorativos, sempre com novidades. Era minha diversão com outros colegas; até trocávamos selos como se fosse figurinha. Hoje quase nem vejo mais o carteiro e nem temos aquela proximidade quase familiar. Da caixa de correio apenas recolho propagandas, talvez inúteis, pois nem aparece mais o endereço do profissional e sim seu WhatsApp. Nem mais os bancos enviam extratos. Talvez nos próximos anos a caixa do correio será obsoleta, tornando-se inútil diante do progresso digital. *Mario Azevedo Alexandre. Escritor, jornalista, membro da Academia Santista de Letras, Academia Vicentina de Letras, Artes e Ofícios e IHGSV