Imagem ilustrativa (Freepik) Durante muito tempo, o bullying foi tratado como “coisa de criança”, como se fosse apenas uma fase, uma brincadeira ou um conflito comum da convivência escolar. Essa visão é equivocada e perigosa. Bullying não é brincadeira. É violência. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Quando uma criança ou adolescente é repetidamente humilhado, excluído, ridicularizado, ameaçado ou exposto ao constrangimento diante dos colegas, não se está diante de um simples desentendimento. Trata-se de uma prática que corrói a autoestima, compromete o rendimento escolar, enfraquece vínculos sociais e pode gerar consequências emocionais profundas. O bullying pode ser verbal, social, psicológico ou físico. Muda a forma, mas o efeito é semelhante: sofrimento, medo e sensação de desvalor. Muitas vezes, os sinais aparecem em silêncio. A criança passa a evitar a escola, perde a alegria, muda de comportamento, apresenta queda no rendimento, irritabilidade, insônia, ansiedade ou isolamento. Por isso, minimizar a situação com frases como “isso sempre existiu”, “foi só uma piada” ou “precisa aprender a se defender” é um erro grave. Essas reações não resolvem o problema; apenas normalizam a violência e aprofundam a solidão de quem sofre. A escola tem papel central nesse cenário. Professores, coordenadores e gestores precisam estar preparados para identificar sinais, acolher relatos e agir com firmeza. Mas a responsabilidade não é só institucional. A família também precisa observar mudanças, ouvir sem julgamento e ensinar, pelo exemplo, que respeito não é opcional. Combater o bullying não significa apenas punir. Significa prevenir, orientar, conscientizar e construir uma cultura de paz. É preciso ensinar que diferença não é defeito, que vulnerabilidade não pode ser alvo de crueldade e que ninguém tem o direito de se afirmar à custa da humilhação do outro. Bullying não é brincadeira. Nunca foi. E enquanto a violência continuar sendo tratada como diversão, continuaremos falhando com nossas crianças e adolescentes.