<p class="PDq2pG_selectionAnchorContainer" data-end="500" data-start="191">O bullying não termina quando o sinal da escola toca; ele deixa cicatrizes invisíveis que ecoam na alma. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), adolescentes que sofrem violência sistemática apresentam uma propensão significativamente maior ao consumo de substâncias lícitas e ilícitas.</p> <p data-end="708" data-start="502">A dor da rejeição, a humilhação pública e o isolamento social geram um vazio emocional profundo, transformando o uso de drogas em uma perigosa “válvula de escape” para mitigar o sofrimento psíquico latente.</p> <p data-end="857" data-start="710">Para romper esse ciclo destrutivo, é fundamental que a sociedade compreenda que a repressão isolada é insuficiente. É preciso agir além da punição.</p> <p data-end="1122" data-start="859">Uma estratégia prática e cientificamente eficaz é a implementação de Círculos de Fortalecimento Emocional nas escolas e comunidades. Essas intervenções visam criar um ambiente de segurança psicológica onde o jovem não se sinta compelido a anestesiar suas emoções.</p> <p data-end="1303" data-start="1124">Em vez de focarmos apenas no proibicionismo, devemos capacitar nossos jovens a nomear seus sentimentos, gerenciar a frustração e desenvolver mecanismos de enfrentamento saudáveis.</p> <p data-end="1557" data-start="1305">Na prática, isso significa instituir espaços de escuta ativa e acolhimento. Nesses espaços, a vítima de bullying aprende que a droga não possui propriedades curativas para a dor da exclusão; ela é apenas uma máscara que agrava o problema a longo prazo.</p> <p data-end="1845" data-start="1559">Ao fortalecermos a resiliência emocional, estamos, na verdade, realizando uma prevenção primária robusta contra o vício. A ciência neuropsicológica demonstra que um cérebro emocionalmente amparado é menos vulnerável a impulsos de autossabotagem e à busca por alívios químicos imediatos.</p> <p data-end="2093" data-start="1847">Prevenir o bullying deve ser encarado como uma estratégia direta de saúde pública e segurança social. Quando oferecemos ferramentas cognitivas e comportamentais para lidar com a rejeição, eliminamos a necessidade de refúgios químicos artificiais.</p> <p data-end="2420" data-start="2095">O combate à violência escolar é, simultaneamente, o combate ao narcotráfico e à dependência química juvenil. Juntos, educadores, famílias e especialistas podem transformar o isolamento em uma rede de proteção real, garantindo que o sinal da escola seja o início de um futuro saudável, e não o prelúdio de um abismo emocional.</p> <p data-end="2579" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="2422">*Dejane Mascarenhas . Professora universitária, neuropsicóloga, escritora da série de 8 livros “Bullying Além” e fundadora do programa “Bullying Não Tem Vez”</p>