(FreePik) Em seminário sobre segurança cibernética, afirmei que a produção de chips não é apenas um tema técnico, mas uma questão de soberania nacional. Uma reportagem confirmou o alerta: o Brasil pode ter parte da indústria automobilística paralisada por falta de semicondutores - peças minúsculas, mas vitais para a economia moderna. Cada carro contém milhares de microprocessadores. Sem eles, não há veículo, trator, celular, respirador ou rede de comunicação que funcione. A escassez de chips revela uma nova vulnerabilidade: a dependência tecnológica. Quem controla a produção de semicondutores, controla a economia. Os chips são o que o petróleo foi no século passado: o motor invisível da economia. EUA, China e União Europeia travam uma corrida pela autossuficiência. Enquanto as potências subsidiam megafábricas, o Brasil segue dependente de importações e distante das cadeias globais de valor. Temos, contudo, um ativo estratégico: a Ceitec S.A, estatal criada em 2008 para desenvolver semicondutores. Foi resgatada em 2023, mas opera com tecnologia defasada e sem escala. Um investimento de R\$ 7,3 bilhões em cinco anos seria suficiente para recolocá-la em outro patamar. Enquanto isso, o País mantém empresas estatais que já não atuam em áreas estratégicas. Os Correios, por exemplo, funcionam basicamente como empresa de logística e encomendas, serviço amplamente atendido pela iniciativa privada, e registraram prejuízo de R\$ 4,3 bilhões no primeiro semestre de 2025. Não se trata de extinguir os Correios, mas de modernizá-los para que cumpram um papel relevante e eficiente. Manter estruturas do século 20 custa caro em um mundo que vive no século 21. Cada Real gasto em modelos ineficientes é um Real a menos para desenvolver autonomia tecnológica. Com gestão profissional e foco em resultados, os Correios podem ser parte da solução, liberando recursos para inovação. Na discussão do PPA 2024-2028 e da LOA 2025, defendi no Congresso uma emenda que obrigava a reestruturação de estatais com desempenho negativo e sem governança adequada. Reafirmo: não há justificativa para uma empresa pública gerar prejuízo se outras do mesmo setor, em ambiente concorrencial, obtêm lucro e eficiência. Estatais devem existir, mas apenas quando cumprem função estratégica- como defesa, energia, tecnologia, saúde e semicondutores. Investir em semicondutores não é luxo; é defesa nacional e visão de futuro. O Brasil tem universidades, engenheiros e mercado interno para participar da nova geopolítica da inovação. Falta decisão e foco: concentrar o esforço público onde realmente importa. Reformular prioridades não é reduzir o Estado, mas reposicioná-lo. O Brasil precisa escolher: continuará apenas entregando cartas ou produzirá os chips que manterão o País funcionando quando o mundo parar? *Alberto Mourão. Prefeito de Praia Grande (MDB)