(FreePik) É de partir o coração ver o Brasil patinando como um carro velho em pista molhada, enquanto outros países aceleram rumo ao futuro, com o GPS apontando para o progresso. Muitas nações mostram sinais claros de avanço. Uns deslancham na economia, como a Coreia do Sul, que saiu da pobreza para virar potência. Outros investem em valores humanos, como a Nova Zelândia, com políticas de inclusão que dão inveja. Tive o privilégio de visitar um país do lado de lá da antiga Cortina de Ferro — aquela divisão física e ideológica que separava o Ocidente do bloco comunista — antes da queda do Muro de Berlim. Voltei lá anos depois e quase não reconheci o lugar. Onde antes havia cinza e silêncio, agora há cor e vida. O mais curioso: são democracias adolescentes! Croácia e Eslovênia, por exemplo, saíram do comunismo há pouco mais de 30 anos e já ostentam padrões de vida superiores ao nosso. Sempre aparece alguém para dizer: “Ah, mas são pequenos!” Ok, justo. Então vamos falar dos grandões: Estados Unidos, Canadá, Austrália. Democracias tão jovens quanto a nossa — ou até mais novas — e que hoje lideram rankings sociais e econômicos. E o Brasil? O Brasil é uma democracia desde a época do Império e seguimos tropeçando em questões básicas. Somos como aquele adulto que se recusa a amadurecer: vive de mesada (ou de dívida pública), se acha esperto, mas não arruma o próprio quarto. Qual seria, então, nosso grande problema? Há quem culpe a exploração europeia, como se fôssemos os únicos explorados. Outros acham que a falta de guerras nos deixou acomodados. Alguns culpam a “qualidade duvidosa” dos colonizadores. Uma salada de teorias. Mas sejamos justos: a colonização ficou para trás há mais de dois séculos. E se outros países explorados conseguiram virar o jogo, por que nós seguimos driblando nossos avanços? Estivemos em conflitos importantes, como a Guerra do Paraguai, a Revolução Farroupilha e até na Segunda Guerra (participação tímida, mas valente). Nosso modelo de colonização nem é tão diferente dos países que hoje estão à frente. Ou seja: essas desculpas já não colam. Talvez nosso problema esteja no culto à esperteza, a políticos populistas, no jeitinho, no abandono da educação e na falta crônica de políticas de longo prazo. Enquanto preferirmos remendar as rachaduras em vez de reconstruir os alicerces, o Brasil seguirá como sempre: muito marketing, pouco resultado e desculpas velhas para bagunças novas. *William Horstmann. Engenheiro, ex-executivo e consultor