(Carlos Nogueira/AT/Arquivo) O avanço das questões ambientais no cenário global enfrenta desafios. Ainda assim, a pauta da sustentabilidade e da transição climática permanece no radar de executivos e investidores, sustentada por dados, oportunidades econômicas e pela urgência ambiental. Nesse contexto, o Brasil se consolida como protagonista dessa discussão, ocupando posição estratégica no cenário geoeconômico, como ponte entre o Sul Global e as demandas ambientais globais. Com uma matriz energética singular, cerca de 90% da energia elétrica brasileira provém de fontes renováveis. Esse diferencial amplia nossa relevância no debate global e reforça o potencial como destino de investimentos sustentáveis. O protagonismo vai além da energia, com destaque para o sequestro de carbono, combate a incêndios e preservação de florestas como a Amazônia. Cresce a consciência de que a natureza deve ser vista não apenas como recurso, mas como ativo essencial ao futuro econômico. Apesar do interesse crescente, persistem desafios como a dificuldade de escalar projetos e a escassez de mão de obra especializada. Nas empresas, conselhos e executivos priorizam planos de ação e investimentos que conciliem governança eficaz e adesão ao ESG. Parte dos conselheiros já incorpora o tema à estratégia, mas cerca de 60% indicam que metas climáticas ainda não estão ligadas à remuneração variável. Quando princípios de ESG e governança são incorporados à cultura organizacional, passam a orientar decisões e gerar valor para negócios e sociedade. Essa jornada exige continuidade, diálogo com a sociedade e maior transparência. Há cerca de 15 anos, temas como inclusão, diversidade e equidade não eram centrais nas empresas. Hoje são pilares relevantes, reforçando a necessidade de antecipar tendências. ESG não se resume a indicadores: exige plano de ação, prioridades e capacidade de execução. A conscientização exige ação. Empresas que não adotarem o ESG de forma consistente correm o risco de perder relevância. Dados reforçam esse avanço. Segundo o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces), o número de empresas que divulgam inventários de emissões mais que dobrou no País. Em 2025, ultrapassou 1,3 mil empresas, impulsionado pelo Programa Brasileiro GHG Protocol, e 60% já estabeleceram metas de descarbonização. Apesar disso, apenas 23% estão alinhadas à meta de zerar emissões líquidas até 2050, enquanto cerca de 40% registraram aumento recente. Em um mundo em transformação, a sustentabilidade deixa de ser escolha e passa a ser imperativo, definindo quais organizações estarão preparadas para o futuro. *João Roberto Benites. Presidente de Conselhos de Administração de empresas familiares, atua como Conselheiro Consultivo da Grant Thornton Brasil e do Hospital das Clínicas (SP), conselheiro certificado pelo IBGC e especialista em expansão estratégica de empresas