Foto ilustrativa (Reprodução Instagram/Donald Trump) Embora eu não seja fã do Trump — e não goste do Eduardo Bolsonaro — tampouco ostente o título de “especialista em economia” (sou apenas um observador curioso), preciso fugir do lugar-comum que tanto seduz discursos de botequim e editoriais preguiçosos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Uma boa parcela dos brasileiros, incluindo economistas, jornalistas e analistas de plantão, resolveu culpar pelo nosso desempenho econômico anêmico o tal tarifaço do Trump. Pior: há quem acredite que a interferência de um deputado licenciado que decidiu viver nos Estados Unidos tenha conseguido travar sozinho o PIB de 214 milhões de pessoas. Isso é quase como responsabilizar o Coelhinho da Páscoa pela alta no preço do cacau. Mas, para alegria do governo populista da vez, a historinha cai como música — especialmente para alguns que terceirizaram o raciocínio para seu guru e respectivos asseclas. Vamos aos fatos. O termo Bric surgiu no fim dos anos 90 para batizar um grupo de países que, na época, eram a promessa dourada do crescimento: Brasil, Rússia, Índia e China. Mais tarde, a África do Sul entrou no clube, transformando o acrônimo em Brics. A expectativa era que todos acelerassem juntos na estrada do desenvolvimento. Mas, como mostram os números do FMI, alguns são verdadeiros Fórmula 1, enquanto outros — adivinhe quem — ficaram parados. O crescimento do PIB entre 1998 e 2024 foi de 8,6% ao ano na China, 7,5% na Índia, 3,1% na Rússia, 2,5% na África do Sul e 2,3% no Brasil. Todos enfrentaram crises e tropeços. A diferença é que alguns conseguiram superar os percalços, enquanto o Brasil... O tarifaço de Trump até piorou a situação, mas está a anos-luz de ser a causa de todos os males. Países sérios, diante de medidas assim, se movimentam: buscam acordos comerciais, estratégias diplomáticas e até revisões jurídicas. O nosso governo, no entanto, aproveitou o momento para distrair o público — desviando o olhar dos crédulos para longe de outros problemas, como a corrupção gigante no INSS, as crises fabricadas pelo STF... É muito mais fácil achar um novo culpado — ou vários — para tudo, do que resolver de fato. E aí, em vez de soluções, ganhamos bravatas, narrativas populistas e promessas que servem apenas para sustentar o rótulo de “salvador da pátria” na próxima eleição. A dúvida que fica é: será que sabem e querem resolver? Ou vamos continuar nesse teatrinho até o aplauso final, quando percebermos que o palco está em chamas e nem reparamos?