Tenho um grupo de amigos que se reúne regularmente em alguma cafeteria escolhida para falar sobre a vida, política e atualidades. É um encontro sempre agradável, formado por gente experiente, culta e acostumada a analisar o mundo com atenção. Qual não foi minha surpresa ao ouvir um dos integrantes tentar relativizar certas críticas aos movimentos pouco republicanos de nossos políticos e governantes. Segundo ele, o Brasil ainda sofre de uma espécie de imaturidade institucional porque nossa democracia seria muito jovem. Argumentou que, em poucas décadas, já tivemos dois presidentes presos, incluindo o atual, além de outro que certamente sofreria impeachment caso não tivesse renunciado. Turbulências assim seriam compreensíveis em um país ainda na “infância democrática”. Senti-me na obrigação de discordar. Definitivamente, o Brasil não pode mais ser tratado como uma criança da democracia. Já se passaram mais de 40 anos desde o fim da ditadura militar. Minha ponderação: o problema é que, no resto do mundo, o tempo parece passar mais rápido. A Polônia iniciou sua redemocratização em 1989 e já alcançou maturidade institucional. Croácia e Eslovênia, que praticamente nasceram ontem, em 1991, e ainda precisaram sobreviver a uma guerra brutal até o início dos anos 2000, também amadureceram rapidamente. Enquanto isso, o Brasil continua se comportando como aquele “jovem promissor” de quarenta anos que mora com os pais, não arruma o próprio quarto e garante que algum dia a maturidade chegará. No fundo, seguimos criando justificativas para um desempenho político decepcionante. Ora tratamos nossa democracia como adolescente tardia, ora alegamos que o país ainda é jovem, esquecendo convenientemente que o restante das Américas surgiu no mesmo período e que a Oceania sequer existia no mapa mundial. Talvez tenha chegado o momento de quem realmente possui influência no debate público abandonar esse discurso complacente e reconhecer uma verdade desconfortável: fomos nós que, repetidas vezes, escolhemos políticos e governantes incapazes. Em breve teremos mais uma oportunidade de mudar isso. A dúvida é saber se nas próximas eleições teremos maturidade suficiente para romper esse ciclo ou se continuaremos permitindo que a polarização entre populistas, especialistas em prometer muito e entregar pouco, siga abastecendo o país com desculpas esfarrapadas para o eterno voo de galinha do nosso querido Brasil. *Engenheiro, ex-executivo e consultor