(Alexsander Ferraz/Acervo A Tribuna) A história das nações costuma ser escrita pela força das armas, mas a sobrevivência das civilizações é garantida pela clareza da visão. Por um destino que tangencia o misticismo geográfico, Santos tornou-se o berço de dois titãs do pensamento ambiental: José Bonifácio de Andrada e Silva e Paulo Viriato Corrêa da Costa. Embora separados por quase dois séculos, ambos compartilharam o mesmo DNA ético na salvaguarda do mundo, legando uma preciosa herança santista à humanidade. Essa vanguarda floresceu em solo vocacionado ao civismo. Em 1927, na icônica Praça dos Andradas, nascia o Rotary Club de Santos, terceiro mais antigo do País. Prestes a completar seu centenário, este sodalício permanece como um farol de ideais humanitários. Foi desse reduto que emergiu a liderança de Paulo Viriato, que elevaria o nome de sua terra ao topo da hierarquia global, projetando a Baixada Santista a todos os continentes. O pioneirismo de Bonifácio foi compreender, ainda no alvorecer do século 19, que a soberania do Brasil dependia de sua biodiversidade. O Patriarca denunciou, com coragem profética, que o desmatamento predatório na Floresta da Tijuca da capital do Império, o Rio de Janeiro, secaria as fontes de água, ameaçando a viabilidade da própria Corte. Ele não enxergava apenas árvores; contemplava o equilíbrio ecológico como alicerce indispensável ao desenvolvimento de uma nação. Décadas depois, outro ilustre filho de Santos herdaria esse cajado. Se o Patriarca semeou o ideal no Império, Viriato o globalizou com maestria. Ao assumir a presidência do Rotary International (1990-1991), o arquiteto de profissão desenhou o futuro ao lançar o projeto mundial Preserve o Planeta Verde. Com a sensibilidade de quem projeta abrigos para a alma, transformou a ecologia em missão universal perante as Nações Unidas. A simetria entre ambos é absoluta: enquanto Bonifácio protegeu florestas e baleias, Viriato defendeu o ar, o verde e os ecossistemas das planícies do Texas às vastidões da Amazônia. O legado que nos deixaram não é um registro estático, mas uma convocação urgente. A harmonia do nosso lar comum depende da guarda rigorosa dos recursos naturais. Assegurar um meio ambiente ecologicamente equilibrado é, portanto, um imperativo da condição humana. Ao respeitarmos a natureza, reverenciamos a pluralidade, a diversidade e exercitamos a civilidade. Afinal, a verdadeira sustentabilidade exige a aplicação dos princípios da precaução — para evitar danos irreversíveis à vida — e da empatia, que nos impele a respeitar o próximo e as regras de convivência pacífica que devem imperar entre todos os seres humanos. *José Geraldo Gomes Barbosa. Engenheiro, advogado, mestre em Direito Ambiental, membro do Conselho de Minerva da UFRJ, das academias de Letras da Praia Grande e de São Vicente, do IHGS, do IGHMB, do Instituto Cultural e de Pesquisas José Bonifácio, do Conselho Deliberativo do Santos Futebol Clube e do Rotary Club Santos Oeste