(FreePik) Está chegando mais um Dia dos Avós, no próximo sábado, e eu me lembro até hoje com muito carinho de dona Helena e de José Mandu, meus queridos avós. Quando era pequeno, via dona Helena sempre em frente à TV, assistindo às novelas e brigando com os personagens como se eles fossem ouvir alguma desaprovação por parte dela. Os dois não sabiam ler nem escrever, mas sempre faziam questão de me incentivar a saber de tudo que saía nos jornais e acompanhar o noticiário na TV. Quando eu voltava da escola e ficava um tempo na casa dos meus avós para brincar, eu sempre recebia um jornal ou uma revista para pegar gosto pela leitura e, também, contar para eles as principais notícias publicadas. Os dois sempre foram presentes na minha vida, em todas as questões. Quando a minha avó ficava internada, eu sempre a acompanhava no hospital. Como esquecer das vezes em que os enfermeiros entravam no quarto? Ela fazia uma bagunça danada, brigava e logo depois dava risada, fazendo questão de conversar com todos. Quando eu dormia na casa deles, aos finais de semana, a família sempre falava que eu era o segurança dela. E o que dona Helena fazia? Dava risada e me obrigava a ver as novelas ao lado dela. Sempre falávamos sobre fazer uma viagem com ela até o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, onde ela queria ver “a pretinha que tanto amava”, em referência à Padroeira do Brasil que carregava no coração. Contudo, devido aos problemas de saúde que enfrentou, não foi possível realizar esse sonho dela. Minha avó deixou oito filhos: Lourdes, Hilda, Lídia, Zilda, Antônio, Milton, Antônio Mandu e José. Ninguém a deixava só e a casa vivia cheia, seja com os filhos ou com os netos. Todos faziam a alegria dela, que não economizava nas broncas às crianças quando alguma coisa errada era feita - menos comigo, que era o protetor dela. Tempos que não voltam mais... Quando eu entrei no Seminário, minha avó não podia ir à missa de envio devido aos problemas de saúde, mas eu tive o privilégio de contar com a presença dela na minha despedida da casa de formação. Dona Helena sempre me deu força para seguir o caminho religioso, mas depois do falecimento dela, tive que voltar para casa. Nesta semana especial, divido algumas dessas histórias com vocês para lembrar o quão importante é demostrar gratidão por quem cuidou da gente com tanto carinho, seja com um almoço especial, uma visita ou mesmo um simples telefonema. Feliz Dia dos Avós! *Fernando da Gama Barbosa. Porteiro, assinante de A Tribuna e participante da ação Vivendo o Jornalismo, promovida pelo Clube A Tribuna