[[legacy_image_255873]] Normalmente, a história é contada pelo homem, ser masculino, deixando a participação feminina inexistente ou relegada a plano secundário. Isso é comprovado pela leitura de artigo escrito pela professora Maria Carolina Loss Leite, no livro 200 Anos da Independência, publicação organizada pelo general de brigada Marcio Tadeu Bergo e o professor Manuel Cabeceiras para o Instituto de Geografia e História Militar do Brasil. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! No artigo, a professora Loss Leite conta que, “ao contrário daquilo que se imagina sobre mulheres, em especial as daquela época, fizeram muito mais que bradar à beira de um riacho e, de fato, se articularam em prol de uma mudança social”. A autora cita feitos de quatro mulheres: Maria Filipa de Oliveira, Clara Camarão, Maria Quitéria e Joana Angélica de Jesus. Mas escreve especialmente sobre a nossa imperatriz dona Maria Leopoldina, esposa de dom Pedro I, que era culta, poliglota, amava música e a ciência. Conta a autora que a atuação política de dona Leopoldina vinha antes de ser imperatriz. Enquanto princesa, já influenciava seu marido nos assuntos estatais, incentivando-o a se posicionar contra as arbitrariedades da Corte Portuguesa. E por já ter demonstrado, diversas vezes, sua inteligência e capacidade política, dom Pedro I lhe concedeu por decreto, em 13 de agosto de 1822, a nomeação de princesa regente em sua ausência. Nessa posição de regente brasileira, em quaisquer decisões tomadas, apenas devia remetê-las para aprovação e ratificação do príncipe. Escreve Loss Leite “que antes de dom Pedro, dona Leopoldina concluiu que caso acatassem as ordens de Lisboa para retornarem a Portugal, o Brasil iria se transformar em diversas colônias distintas, como ocorreu com a América Espanhola”. O ápice desse confronto culminou com a notícia de que 7.200 soldados portugueses seriam enviados a fim de obrigar a realeza a retornar a Portugal. Dona Leopoldina estava como regente do Reino do Brasil e convocou o Conselho de Estado, em 2 de setembro de 1822. Depois de ouvir a opinião dos ministros, decidiu que o estado de vassalagem brasileira era insustentável e assinou o decreto de separação. Em ato contínuo, escreveu uma carta explicando sua decisão ao marido. A mesma chegou a São Paulo, onde dom Pedro se encontrava e junto com outra carta de José Bonifácio de Andrada e Silva, um dos conselheiros mais influentes. E, ao ler ambas, decidiu romper definitivamente os laços entre Brasil e Portugal. “Por isso, lembra Maria Carolina Loss Leite, exaltar dona Maria Leopoldina, mesmo nascida na Áustria, deveria fazer parte de nossa história desde a mais tenra idade dos brasileiros, haja visto que nosso destino político foi traçado por suas mãos, ficando o ato simbólico ao seu esposo”. Parte desse reconhecimento está em fase de conclusão. Em março de 2022, uma proposta apresentada pelo senador Jorge Kajuru (PSB-GO), foi aprovada pela Comissão de Educação da Câmara Federal e aguarda votação em plenário para incluir o nome de dona Maria Leopoldina no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria, documento que reúne 43 nomes, entre eles, apenas 6 de mulheres.