[[legacy_image_323509]] O Jornal A Tribuna, no dia 1º de dezembro, nos trouxe uma reportagem sobre o Porto de Antonina, Paraná, destacando o trabalho de recuperação de uma área florestal de “190 mil metros quadrados”. Sem dúvida, um bom exemplo para o Porto de Santos, situado no estuário que se abre entre as ilhas de São Vicente e de Santo Amaro, precedido pela Baía de Santos, moldurada por dois extensos costões rochosos que avançam para o mar aberto, cobertos por ricos exemplares da Mata Atlântica. No costão situado na Ilha de Santo Amaro, Guarujá, sobressaem-se duas enormes áreas degradadas e separadas por uma pequena área preservada, no formato de “V”, que desce da encosta íngreme até alcançar os rochedos junto ao mar. Nas duas enormes áreas descampadas existiam plantações de limões, no hoje chamado Morro dos Limões. Visconde de Taunay, em Na Era das Bandeiras, no capítulo “Um Assalta a Santos”, descreve com precisão a presença e os ataques do corsário irlandês Joris van Spilbergen às vilas e engenhos da Ilha de São Vicente, em 1615, com destaque para a coleta de limões, fundamentais para os marinheiros combaterem o escorbuto. Na área preservada no formato de “V” existe uma excelente fonte perene de água doce, também fundamental para o reabastecimento dos navios vindos da Europa. Antes da fundação da Vila de Santos (1546), os navios lançavam âncoras na embocadura do estuário, diante das duas áreas degradadas, em local demarcado com uma cópia do padrão português de posse da terra, semelhante ao que existe em Sagres, Portugal. A pequena faixa preservada com a mata natural, em formato de “V”, se destaca em área bem visível entre a Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande – mais expressivo conjunto arquitetônico militar colonial do Estado de São Paulo – e o Fortim do Góes. Nossos antepassados tiveram o bom senso de preservar aquela faixa com a mata nativa, deixando “invisíveis” as ruínas de um antigo posto de observação militar colonial, com cerca de 100 metros quadrados, assentado em uma plataforma de pedras, escavada no morro, junto à fonte perene de água doce. A maioria das reportagens de TVs e de jornais feitas nas praias da Baía de Santos, tem, como “plano de fundo”, as duas cicatrizes que se destacam visivelmente em um enorme cenário onde predomina a Mata Atlântica natural e preservada. Recuperar estas duas áreas degradadas nos parece uma boa ação a ser encampada por empresas que operam no Porto de Santos. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), sem dúvida, autorizaria tal intervenção e a natureza, o meio ambiente, seriam recompensados. Elogios não faltariam, pois creio que não haverá ninguém para criticar uma ação que se opõe à devastação de áreas florestais como ocorreu mundo afora e agora nos ameaça. Não faltarão também empresas especializadas para elaborar um projeto de reflorestamento de tal importância. Talvez até como uma boa ação de “compensação ambiental”.