Existem determinadas pautas ideológicas que despertam certa estranheza. Uma delas é a defesa exacerbada da soberania nacional, que considera a aproximação com determinadas democracias uma forma de submissão, mas vê com naturalidade as relações com regimes autoritários. Aparentemente, a soberania tem critérios seletivos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O antiamericanismo é um exemplo de narrativa que merece reflexão. Afinal, é difícil abrir mão de tudo o que os Estados Unidos oferecem ao mundo sem transformar radicalmente a rotina. Basta olhar para a tela do celular: Android ou iOS, Windows nos computadores, Google nas pesquisas, Google Maps para encontrar caminhos e, mais recentemente, a inteligência artificial. A lista vai além da tecnologia digital. Podemos lembrar Henry Ford e sua contribuição para a popularização do automóvel, entre muitas outras. Diante disso, fica a pergunta: como o antiamericanismo conquista tantos adeptos? É possível demonizar um país e, ao mesmo tempo, usufruir de tudo o que ele criou ou ajudou a popularizar? Para alguns, condenar os Estados Unidos é uma questão ideológica; usar suas invenções, uma necessidade cotidiana da qual não abrem mão. Cuba e Coreia do Norte são exemplos de países que procuram se manter distantes da influência americana. Mas há uma diferença entre preservar a autonomia política e oferecer à população condições dignas de vida, liberdade e acesso aos avanços do mundo moderno. Nesses países, as restrições impostas pelos próprios regimes limitam o acesso a inúmeras facilidades disponíveis em outras partes do mundo. E, quando seus cidadãos conseguem conhecer o que existe além das próprias fronteiras, percebem o quanto estão privados de oportunidades que, em outros lugares, fazem parte do cotidiano. Naturalmente, os Estados Unidos não detêm o monopólio da inovação. Outros países desenvolvem tecnologias e conquistam posições de destaque. Ainda assim, os americanos continuam ocupando um lugar central no cenário mundial da inovação, do empreendedorismo e do desenvolvimento tecnológico. Isso não significa concordar com decisões de Washington ou ignorar seus erros. Criticar um governo é legítimo. Rejeitar automaticamente tudo o que vem de um país, porém, é outra história. Defender a soberania não significa escolher novos tutores, muito menos recusar avanços por birra ideológica. Romper com os Estados Unidos por princípio seria uma estupidez. Afinal, até para organizar um protesto contra o imperialismo americano, muita gente recorreria ao Google para encontrar o endereço, ao celular para combinar o encontro e às redes sociais para divulgar o evento.