[[legacy_image_266590]] Foi realizado estudo com 545 norte-americanos e canadenses com mais de 18 anos que estavam envolvidos de forma romântica e sexual. Os resultados mostraram, contrariando o senso comum, que a espontaneidade nas relações sexuais não gera mais desejo ou paixão do que o sexo com hora marcada. O trabalho foi publicado no periódico Journal of Sex Research, e as conclusões foram que “as descobertas não apoiam a ideia que o sexo agendado é mais satisfatório que o sexo espontâneo”, embora seja ressaltado que o agendamento não precisa ser rígido e inflexível, devendo estar em sintonia com outros planejamentos gratificantes, como viagens de férias. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Diante dessa notícia, não pude deixar de me lembrar de Dona Flor e Seus Dois Maridos, o clássico romance de Jorge Amado. Nele, os personagens são a linda Dona Flor, seu marido Vadinho, boêmio, jogador, devasso, que morre em pleno Carnaval, e seu segundo esposo, Teodoro Madureira, sério, metódico, organizado, que toca fagote numa orquestra de amadores. As relações são opostas: com Vadinho, o sexo flui intensamente, a qualquer instante, de modo louco e frenético. Com Teodoro, as relações têm dias certos - quartas e sábados, às 22 horas, “em honesto ardor e prazer constante, bis aos sábados e facultativo às quartas”. Com todo respeito ao estudo norte-americano e canadense, tenho cá minhas dúvidas sobre seus resultados e conclusões. Sexo, em resumo, não é produto da razão nem se subordina a condicionantes e decisões pré-estabelecidas. Segue outra lógica: é fruto da paixão, do arrebatamento, da ousadia. Quebra protocolos, é imprevisível, explode, enfim. Nem sempre é maravilhoso e perfeito – os desencontros e frustrações acontecem, é evidente – mas duvido muito que algo planejado com antecedência, mesmo cercado de atenções e carinho, traga grandes efeitos e satisfação plena.