[[legacy_image_333437]] “As ideias estão por aí até que uma mente as pense...”Wilfred Bion, psicanalista Cheguei à obra do médico Wilfred Ruprecht Bion desassossegado com a maneira que estamos pensando e tratando a severa crise climática, já em curso. Não sendo estudioso nem especialista nos conhecimentos deixados por este gênio da Psicanálise, mas inquieto com a gravidade do cenário que se desenha, resolvi, então, “mergulhar”. Das leituras que fiz, várias vezes fui alertado que se trata de autor difícil: propaga suas ideias com textos herméticos, complicados na compreensão e que, longe de dar respostas, nos faz submergir em um mar de questionamentos e inquietações. Gosto de autores com este perfil! Na apresentação do livro Bion: da Teoria à Prática, de autoria do médico psicanalista David Zimerman, destaca-se que a citação preferida de W.R. Bion era “a resposta é a desgraça da pergunta”. Fácil de entender: dadas as respostas, dissipam-se as tentativas de se buscar novos esclarecimentos, explicações, compreensões, e às vezes até, novas iniciativas práticas através de novos caminhos. É perigoso pensar que já temos respostas para os desequilíbrios socioambientais instalados no planeta e que os modelos vigentes, como a propagação dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), as agendas ESG (compromissos com ambiente, sociedade e governança), as COPs (Conferências das partes), os NDC (contribuições nacionalmente determinadas) e tantas outras abordagens, vão dar conta da gravidade da situação. As iniciativas supracitadas são todas essenciais na tentativa de reverter a gravidade da crise ambiental, mas operam em nichos mais restritos, longe da extensa participação cidadã que se faz, absolutamente necessária. Por aqui, em 2001, já tentamos buscar a pertinência popular no processo de implantação de ecossistemas urbanos equilibrados através de uma Agenda 21 Regional. Os trabalhos, em um modelo “bottom-up”, deveriam partir de um chamamento à população local que, através de dinâmicas de grupo (as oficinas do futuro), seria convidada a externar suas percepções sobre o ambiente urbano e daí registrar anseios e sonhos, em uma cidade que gostaria de viver. A proposta naufragou! Não temos uma cultura política capaz de viabilizar a legítima participação comunitária no enfrentamento de problemas. Assim, lamentavelmente, uma parcela significativa da população continua sem poder pensar a gravidade da situação e, desta forma, dar a sua devida contribuição. Ampliando os grupos de discussões sobre os problemas coletivos que vivemos e sobre o nosso futuro comum, não teremos somente respostas, mas poderemos identificar a verdadeira dimensão dos anseios comunitários, o real nível de consciência do lugar e se apropriar de contribuições práticas sobre o que fazer. Isto é mobilização social. A ameaça climática está se agravando e as ideias estão por aí... É só procurar!