De acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (Noaa, na sigla em inglês), foi emitido no mês de maio um alerta para a formação de um El Niño intenso em 2026. Segundo a agência do governo dos EUA, a probabilidade de que o fenômeno persista entre dezembro deste ano e fevereiro de 2027 é de 96%. Há ainda 67% de risco de que ele seja forte ou muito forte, aliando-se os dados ao aquecimento global. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Induzido por emissões de carbono, cientistas projetam que este ano poderá superar 2024 como o mais quente já registrado desde meados do século 19. Segundo alerta de cientistas da Noaa, governos em todo o mundo precisam, portanto, colocar em prática planos de prevenção e de contenção em infraestruturas, urbanismo, Defesa Civil e Saúde. O Brasil, em particular, enfrenta dificuldades nesta seara. El Niño e La Niña são fenômenos climáticos naturais que ocorrem na região equatorial do Pacífico e alteram, em escala global, a circulação dos ventos e das chuvas. Ambos ocorrem em um período que varia de dois a sete anos. No primeiro, a superfície da água fica mais quente que o normal entre nove e 12 meses. No segundo, fica mais fria, de um a três anos. No Brasil, ele causa seca ou redução de chuvas nas regiões Norte e no Nordeste e condições meteorológicas opostas no Sul e Sudeste. Enfim, os cientistas deixaram um alerta: as esferas federal, estaduais e municipais têm o dever de se prepararem já para os efeitos do El Niño. As experiências podem ser letais. Há 40 anos como funcionário público municipal de Santos na função profissional de técnico de segurança do trabalho, ajudei a implantar Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (Cipa) em várias secretarias. Também acompanhei a criação da Coordenadoria da Defesa Civil. Depois, como vereador, em 1998, vi a criação do Departamento de Medicina e Segurança do Trabalho (Desmet) para tratar a saúde dos trabalhadores municipais de Santos. Vemos que, com a chegada dos eventos climáticos cada vez mais fortes, principalmente na Baixada Santista, o mar é aberto em alguns municípios e os serviços de Defesa Civil são subdimensionados. Alguns funcionam como coordenadoria e outros como departamentos de uma Secretaria de Segurança Pública. Neste momento de mudanças climáticas, a finalidade precípua dos órgãos de Defesa Civil é a salvação de vidas. É essencial que estes departamentos ou coordenadorias sejam transformados com urgência em uma Secretaria de Defesa Civil e da Vida, com as responsabilidades estendidas aos serviços de podas de árvores. A Secretaria de Defesa Civil e da Vida deverá ter uma completa infraestrutura, com todos os equipamentos necessários e colaboradores de apoio para as suas atividades e execuções emergenciais.