(Reprodução) A Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem) voltou ao centro do debate público não por apresentar soluções, mas pela possibilidade de ser extinta pelo governo de Tarcísio de Freitas. E a pergunta que surge é inevitável: diante do cenário atual, a sua continuidade ainda se justifica? Criada a partir da instituição da Região Metropolitana da Baixada Santista, em 1996, pelo então governador Mario Covas, a proposta era clara e necessária: integrar os nove municípios, promover planejamento regional e desenvolver projetos estruturantes capazes de impulsionar o crescimento da Baixada Santista. Era uma visão estratégica, alinhada ao futuro. No entanto, ao longo dos anos, essa proposta foi sendo esvaziada. A Agem, que deveria ser o braço técnico e articulador dessa integração, perdeu protagonismo e relevância. Há cerca de três anos, não se apresenta um projeto de impacto regional. A ausência de iniciativas concretas evidencia um problema maior: a falta de direção. Mas o problema não é apenas institucional — é, sobretudo, político. A falta de união entre prefeitos e prefeitas da região, marcada por disputas de vaidade e ausência de compromisso coletivo, comprometeu a essência da Região Metropolitana da Baixada Santista. Cada município passou a agir de forma isolada, ignorando que os desafios urbanos, sociais e econômicos ultrapassam limites territoriais. Enquanto isso, a Agem sobrevive exercendo funções secundárias, distantes de sua finalidade original. Um órgão criado para planejar o futuro da região tornou-se burocrático e sem impacto real. A consequência é clara: estagnação. Diante desse cenário, manter uma estrutura que não entrega resultados concretos se aproxima do desperdício de recursos públicos. Se não há articulação, liderança e projetos, sua existência perde sentido. A Baixada Santista precisa retomar o caminho da integração, com uma governança metropolitana forte, projetos consistentes e compromisso real entre os municípios. Caso contrário, continuaremos assistindo à perda de oportunidades e ao enfraquecimento de uma região com enorme potencial. A verdade é simples e dura: a Região Metropolitana da Baixada Santista corre o risco de se tornar apenas uma sigla. E, do jeito que está, o futuro permanece travado. *Milton Gonçalves. Ex-diretor executivo da Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem)