<p class="PDq2pG_selectionAnchorContainer" data-end="410" data-start="167">Aqui bem perto de nós, na vizinha cidade de Cubatão, berço do desenvolvimento industrial, nasceu um intelectual que poucos conheceram ou souberam da sua grandeza - jornalista, escritor, poeta, dramaturgo e ativista anarquista - Afonso Schmidt.</p> <p data-end="790" data-start="412">No último dia 29 de junho, ele completaria 136 anos de nascimento, já que nessas terras de passagem entre o Litoral e o Planalto, em 1890, irrompia o choro de uma criança, que incorporaria a figura do um sonhador, muito bem desenvolvida na obra ‘O Menino Felipe’, que segundo ele mesmo disse, em 1957, que esse romance foi o primeiro escrito no município, usando a sua paisagem.</p> <p data-end="1031" data-start="792">Todos os anos a Prefeitura e a Câmara festejam o nascimento de Schmidt, em sessão solene, instituída em uma Semana inteira dedicada à rememorar sua obra, com a participação das crianças e jovens, até com a criação de concursos nas escolas.</p> <p data-end="1344" data-start="1033">Foi sempre um marco para as gerações que vieram a partir dele, e a cidade o homenageia com vários símbolos, como a Praça com seu nome, na Vila Couto, recentemente com um novo busto; dando o nome de uma de suas obras - Zanzalá, ao Coral Municipal; e denominando a Orquestra Sinfônica Municipal de Afonso Schmidt.</p> <p data-end="1560" data-start="1346">E, bem recentemente, com a criação do Instituto Afonso Schmidt, sua obra está sendo toda reeditada, para mais abrangência e alcance em vários centros de educação e cultura, não só locais, mas no estado e no Brasil.</p> <p data-end="2026" data-start="1562">Mas a importância alcança bem mais outros patamares e é preciso que mais se reverencie o legado deixado. Alguns escritores escrevem para a eternidade; outros escrevem para o seu tempo. Afonso Schmidt fez as duas coisas. Enquanto o Brasil crescia, mudava e enfrentava seus conflitos, ele observava atentamente. Sua pena não buscava apenas a beleza das palavras, mas também a verdade dos fatos. Isso nos diz que, para ele, a literatura é também um ato de humanidade.</p> <p data-end="2384" data-start="2028">Mas, focando no menino sonhador, cuja personalidade ficou patente na obra já citada, ‘O Menino Felipe”, este livro ganhou o concurso instituído pela Revista O Cruzeiro, em 1947, como o melhor romance entre 517 candidatos. Sem desmerecer o alto valor dos outros cerca de 70 livros, esse sempre teve a minha predileção, talvez por ter sido o primeiro que li.</p> <p data-end="2473" data-start="2386">Como jornalista, teve participação destacada na imprensa carioca e na capital paulista.</p> <p data-end="2854" data-start="2475">É o escritor mais ilustre da cidade de Cubatão, sendo premiado em 1942 com o Prêmio Machado de Assis e, em 1963, com o Prêmio Juca Pato, um dos mais importantes do país. Mas deixou, por certo, o caminho traçado para inspirar outros autores nascidos em Cubatão, como Antônio Simões de Almeida, Welington Ribeiro Borges, Marcelo Ariel, Carlos Roque, Manoel Herzog, Marilda Canelas.</p> <p data-end="2892" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="2856">*Eunice Tomé. Jornalista e escritora</p>