(Imagem ilustrativa/Pexels) Quando pensamos que temos muitos amigos e que, com eles, podemos usufruir momentos de alegrias e prazer, chegamos à conclusão de que, no dia em que mais precisamos deles, simplesmente, desaparecem. Felizmente ainda há os abnegados amigos, os verdadeiros, de fato, que continuam a se preocupar conosco (e nós com eles). Sem esses companheiros de todas as horas o que seria a vida não é mesmo? Penso que a amizade é algo que não se pode comprar nem vender. Certamente a temos, muito bem representada por amigos leais que nos tornam felizes. Uma vez vi uma charge na qual a viúva preparou um local numa sala com inúmeras cadeiras, porque seu marido falecera e tinha mais de dois mil seguidores na rede social. Porém, quando já estava tudo montado, o corpo no caixão, as coroas de flores compradas pela própria esposa e pelo único e verdadeiro amigo que lá apareceu, as cadeiras vazias revelavam a ausência dos “grandes amigos invisíveis” A esposa, desolada, comentou com o fidedigno amigo lá presente: Estranho, não é mesmo, Ariel? Zaqueu tinha tantos amigos. Passava os dias conversando com eles na internet. Mensalmente comparecia a encontros. Quando ele faleceu, informei a todos. Mas ninguém compareceu... Para dar continuidade ao que imaginei ter ocorrido a partir daquela cena tão triste, idealizei, de repente, uma senhora, acompanhada de um jovem, os dois entrando silenciosos naquele local tão triste. Dirigiram-se à viúva, abraçaram-na e foram até o caixão. Ficaram em silêncio, aparentemente em prece. Logo depois, a senhora apresentou-se: Sou Ágata. Participava do grupo de relacionamentos com o Zaqueu. Este é meu neto, Francisco, que veio trazer-me até aqui. A viúva agradeceu: Meu nome é Dolores. Sou a viúva de Zaqueu. Ele vivia com o celular e, às vezes no computador. Mal falava conosco, mas, com seus amigos internautas, parece que se divertia imenso. Um dia ele passou mal e faleceu, ainda com o celular às mãos. Dizia-me, quando conversava comigo, que possuía mais de dois mil “amigos” na internet. Preocupei-me em preparar esse ambiente porque entrei nos grupos de contato do Zaqueu e informei a todos sobre o falecimento do meu marido. Imaginei que esse salão seria pequeno para tantos amigos, mas, cá estamos apenas quatro pessoas. Não direi que fiquei decepcionada. Pensei que, para quem tem mais de dois mil amigos, pelo menos a metade viria prestar ao meu marido as homenagens póstumas, creio que merecidas. Percebo que me enganei. Aqui estou eu, a viúva, meu amigo Ariel, a senhora e o seu neto. Essa é a realidade, com certeza, infelizmente bem diferente e distante do ambiente virtual tão amado por Zaqueu! *Professor, escritor, presidente da Contemporânea - Projetos Culturais e membro da Academia Santista de Letras