É importante que os responsáveis de crianças e adolescentes conversem sobre segurança digital (Freepik) Recentemente, pesquisadores da Universidade de Michigan promoveram um debate visando ajudar os adolescentes com as redes sociais. Destacam que o desenvolvimento do cérebro vai até os 20 anos e a tomada de decisões e a regulação emocional e comportamental até os 25 anos. Em outras palavras, necessitam de algum tipo de proteção até esta idade. Em uma pesquisa de 2022, 95% dos adolescentes relataram ter um celular e quase todos relataram possuir um aos 13 anos. A maioria dos adolescentes usa YouTube, TikTok, Instagram e Snapchat diariamente e 46% dizem que usam a internet quase constantemente. Ao mesmo tempo, os problemas de saúde mental crescem entre adolescentes. Um estudo nacional recente com estudantes do ensino médio verificou um aumento nos sintomas de depressão, incluindo pensamentos suicidas, planejamento ou tentativa de suicídio. Esse aumento simultâneo, documentado em outros estudos, aponta que o uso das redes sociais combinado com outros fatores impulsionam os problemas de saúde mental dos adolescentes. Embora a pesquisa não indique causa, a pesquisa sugeriu três fatores que se correlacionam redes sociais e os resultados de saúde mental. Idade de acesso: jovens que relataram ter acesso ou possuir um celular mais cedo tendem a ter pior saúde mental. Quanto usa: nos mais jovens (11-15 anos), um maior uso de redes sociais pode ser prejudicial à saúde mental, mas em adolescentes mais velhos (16 ou mais), parece ser benéfico. Gênero: o impacto das redes sociais na saúde mental geralmente é pior para meninas. Quais os prós e contras das redes sociais? Os jovens podem formar amizades on-line ou sentir que pertencem a uma comunidade virtual, o que pode ajudá-los a se sentirem compreendidos, apoiados e com identidade valorizada. As redes sociais também podem incentivar a criatividade, já que praticamente todo interesse, hobby ou ofício tem uma comunidade on-line. Plataformas como YouTube oferecem conteúdo educativo de alta qualidade, que pode ser uma ferramenta valiosa de aprendizado. Porém, os adolescentes podem estar expostos a conteúdos prejudiciais, pessoas perigosas, problemas de privacidade ou cyberbullying. É muito importante falar sobre segurança na internet com as crianças e ensiná-las a lidar com essas situações quando surgirem. Eles podem sentir desespero, e a capacidade de resolver problemas desaparece. Sentir que sempre podem recorrer a um cuidador de confiança será uma proteção em situações assustadoras ou perigosas. Alguns dos conselhos dados pelos jovens alinham-se com as normas profissionais, como evitar interagir com pessoas desconhecidas on-line, silenciar contas negativas, usar lembretes sobre o tempo gasto no aplicativo, ser gentil on-line, não se esquecer da vida real e evitar basear seu valor em curtidas ou comentários. *Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e congregado mariano