(Marcelo Camargo/Agência Brasil) O Brasil é uma democracia consolidada, não tenho dúvidas. E a cada dois anos participamos de eleições. Se o resultado por vezes frustra, isso está relacionado a outras questões, sobretudo à qualidade no nosso voto. E se a democracia seguirá forte, também é outro ponto a se pensar, novamente ligado às nossas escolhas. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Tenho por princípio, até por ser médico, que todos somos iguais. Nossos destinos fisiológicos chegarão sejamos quem formos. Dessa forma como pode alguém se julgar melhor? Por que alguém pode ter tudo enquanto outros, nada? O básico para viver de forma digna, cordial e feliz, todos devem ter, esse é o meu Norte. Para tanto, Estado forte é essencial. Quem é “viajado” mas buscou ir além da Flórida ou dos cartões-postais instagramáveis percebeu que os países realmente desenvolvidos têm Estado forte, sobretudo na saúde e na educação, além de controlar com rigor a qualidade do transporte e energia. Dessa forma, a cada dois anos busco candidatos que tenham esse perfil verdadeiramente ligado às humanidades. Quem defende a vida de todos, o direito ao essencial, com uma pitada farta de alegria e dignidade cotidianas. Quem tenha preservada a capacidade de se indignar com aquilo que merece repúdio. Quem defenda que o lucro não é pecado, porém que não pode ser às custas da supressão de direitos essenciais. Quem defenda o que eu denomino de “Estado suficiente”. Nem excessivo, sequer mínimo. Do tamanho necessário para prover cidadania, cuidar da saúde, educação, energia, transporte e segurança e que efetivamente regule e fiscalize o que for dado à terceiros prover. Acho uma falácia o discurso do estado mínimo. Temos mais exemplos do que vai mal do que efetivos sucessos privatizados. Sem falar que os desvios - sejam literais, sejam pela péssima qualidade dos serviços prestados - dos recursos públicos, sobretudo nas áreas privatizadas, são mais regra do que exceção. Dessa forma, candidatos ou mandatários com esse discurso privatista têm minha descrença. Afinal, elegemos gestores públicos e, não, CEOs de uma empresa privada.... Ao escolher, preocupa-me também a defesa da democracia. Com todos os seus defeitos, ela ainda é, e sempre será, insuperável. Vivemos no mundo todo e no Brasil em especial, uma escalada populista, com um discurso tosco, violento e vazio em propostas que defendam a vida de todos e do Estado. Defendem ainda a “liberdade plena” para tudo. Desde a liberdade de escolha e expressão até a liberdade de andar armado e “fazer sua própria justiça”. Seríamos não mais o “velho”, mas o “novo Oeste”. Porém, querem uma liberdade sem consequências, sem punição aos seus excessos. Impossível concordar. E o que me admira não é ter candidatos com tal perfil, não me ocorre melhor definição, “tosco”. O que me admira é que existam muitas pessoas seduzidas por eles, quase um transe hipnótico. E me preocupa a nossa incapacidade de dialogar e retomar o equilíbrio perdido para termos uma convivência harmônica onde a cada dois anos, nas eleições, respeite-se a vontade popular expressa por eleições livres. Não podemos ter sobressaltos violentos ou tentativas de virada de mesa golpistas. Isso é crime e deve ser punido com rigor. Vivemos desafios reais que colocam a nossa existência em risco. Mudanças climáticas, desafios políticos, econômicos, culturais e sociais. Conflitos armados seguem aumentando. E a incorporação de novas tecnologias, com seus riscos e benefícios, são todos os temas que importam. Então meu pensamento é que devemos escolher nas eleições os melhores para nos representar e dirigir pautados na vida melhor e mais justa e no mundo mais equilibrado e sustentável. Se escolhermos bem, viramos o jogo e qualificaremos os espaços políticos e as nossas representações. Acredite na democracia. Boas escolhas para todos!