[[legacy_image_303847]] Assistimos aterrorizados às cenas das ações do Hamas. Assistimos, também, assustados à resposta de Israel na Faixa de Gaza. Em ambas as situações – que são muito distintas, ressalte-se – ocorre a perda de vidas humanas. Independentemente de nacionalidade, religião, credo, orientação sexual ou perspectiva política, vidas humanas devem ter o mesmo valor e ser preservadas. A esta altura do conflito, ambos os lados – e os terceiros envolvidos – deveriam ter compreendido que as medidas adotadas são fórmulas repetidas e não levam a uma solução definitiva da questão palestina. É necessário que ambos – palestinos e israelenses – cheguem a uma mesma conclusão: mortes e atrocidades não cessarão enquanto um lado entender que a sua existência pressupõe o desaparecimento do outro. A questão palestina, que se arrasta desde 1948, já tem desde seu início o remédio da resolução do conflito: a convivência harmônica e pacífica de dois estados soberanos e independentes na região. E, para tanto, deve-se abandonar qualquer perspectiva religiosa que, ao invés de resolver a questão, somente adiciona mais combustível a uma disputa meramente territorial. Com a implementação da solução de dois estados – Israel para os judeus e Palestina para os palestinos –, o que foi acordado pelo Estado de Israel e a Organização para Liberação da Palestina (OLP) em 1993, como parte dos Acordos de Oslo, a comunidade internacional deveria realizar esforços efetivos para assegurar obstinadamente que a solução seja implementada. O mundo não pode assistir inerte a tantas guerras, banhos de sangue, crianças órfãs ou abandonadas, pessoas degoladas ou mortes em abundância. É hora de a paz prevalecer e não a indústria da guerra e da busca da hegemonia global e regional. Afinal, a comunidade internacional também terá de arcar com o custo de reconstrução da Faixa de Gaza. O Brasil, como país amante da paz, onde árabes e judeus convivem pacificamente, não pode se perder no debate ideológico infundado que a questão assumiu. Transformou-se uma questão complexa num confronto político-ideológico, num debate inútil e contrário à natureza pacífica do povo brasileiro, que, apesar desta vocação, também enfrenta problemas enormes de violência interna que precisa resolver. A postura do Brasil deve ser clara: opor-se e condenar atos que causam danos a civis, além de conclamar um imediato cessar fogo entre as partes. As hostilidades devem cessar imediatamente, sob pena de criarmos uma situação irreversível, que pode alastrar-se e ensejar um conflito ainda maior. A ação de Israel, embora justificada, como reconhecido pela comunidade internacional, se seguir com a intensidade observada somente intensificará o conflito e, como violência cria violência, o Hamas – ou qualquer outro grupo – se achará no direito de vingança. Os militantes palestinos – Hamas ou qualquer outro grupo – têm de compreender, definitivamente, que matar israelenses ou lançar mísseis não assegurará a paz. Shimon Perez, sabiamente, afirmou que a única vitória é a paz. A paz deve ser buscada a qualquer custo. Não é uma questão religiosa, mas sim de sobrevivência. Só que, para alcançar a paz, o único preço é a renúncia à violência.