(Reprodução/Facebook) A vida é uma montanha russa, se paramos para pensar. Há momentos de calmaria em que tudo parece estável e previsível, como aquele trecho lento em que o carrinho apenas desliza, quase nos fazendo esquecer que estamos presos aos trilhos do inesperado. Depois vem a subida. Ela é lenta, trabalhosa, exige paciência. O coração antecipa o que virá, mas não sabe quando nem como. Assim também são nossos esforços, silenciosos e constantes, enquanto tentamos alcançar o que chamamos de topo. Quando finalmente acreditamos que chegamos ao primeiro auge, surge a queda vertiginosa. Perdemos o chão, o fôlego, a ilusão de controle. É nesse instante que lembramos que a estabilidade nunca foi permanente. Heráclito já nos advertia, ninguém se banha duas vezes no mesmo rio, pois tudo flui, tudo se move, nada permanece. A queda não é um erro do percurso, é o próprio percurso. E quando achamos que estamos caindo rápido demais, vem o looping. Somos lançados de um lado para o outro, cabeça para baixo, coração desorientado. Pensamos que estamos perdidos. No entanto, Buda ensinava, a dor é inevitável, o sofrimento é opcional. A turbulência é real, mas o desespero nasce da resistência ao movimento. Se tentamos lutar contra o trilho, apenas intensificamos o impacto. Jesus Cristo falou aos que temiam o abismo, no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo. Não é a negação da queda, mas a certeza de que ela não define o fim. Moisés atravessou o deserto antes de vislumbrar a terra prometida, e sua jornada ensina que a aridez também faz parte do caminho. Então, quando julgamos estar definitivamente perdidos, surge mais uma subida. Mais uma queda. Novo alto, novo baixo. A repetição não é castigo, é formação. Como ensinava Confúcio, nossa maior glória não está em nunca cair, mas em levantar-nos cada vez que caímos. A montanha russa não é feita para nos destruir, mas para nos lembrar que estamos vivos. E, por fim, depois de tantos sobressaltos, chega a tranquilidade da reta final. Não porque as quedas deixaram de existir, mas porque aprendemos a atravessá-las. Talvez a sabedoria esteja em aceitar que não controlamos os trilhos, mas podemos escolher como atravessá-los. A vida não é a promessa de um caminho plano. É o convite permanente a sentir o vento no rosto, mesmo quando ele nos tira o fôlego. *Gregório José. Jornalista, radialista e filósofo