(Reprodução) “Adeus, Casa Amarela. A nossa turma vai sentir saudades dela. Somos de 70, Brasil tricampeão, entramos na parada com a nova construção...” Essa estrofe faz parte da melodia de nossa turma de Direito, formada em 1974. Fizemos o vestibular em 1970 na famosa Casa Amarela (última turma a ocupar aquele famoso espaço) e cursamos a faculdade, inaugurando o novo prédio, construído bem ao lado, ali na Conselheiro Nébias. 50 anos são passados e nossa turma da Faculdade Católica de Direito de Santos (hoje, UniSantos) comemorou o cinquentenário com uma missa de ação de graças e um almoço regado de recordações e lágrimas. Lembramos do vestibular, do trote (inicio do curso), a patuscada (final do curso que era praxe da época, com os formandos saindo da faculdade e indo a pé até a Praça da Independência, todos pintados e com roupas engraçadas). Lembro de um episódio da patuscada, quando paramos em frente à casa de nosso diretor que saiu à porta com seu elegante “Robe de Chambre” e foi saudado com um banho de farinha. Cyrillo era um homem sério, rígido, temido, mas aceitou sorrindo a brincadeira e ainda disse: “Só essa turma para fazer isso comigo”. O vestibular era duro e passavam apenas os mais preparados. O tema sorteado foi: “Liberdade e Segurança”. Além da redação tinha uma prova de tradução com opção em Inglês ou Francês. Era a única faculdade de Direito da Baixada Santista. Era época do regime militar. O Presidente era o General Emilio Garrastazu Médici. Época dura, com estudantes presos e muita repressão. Mas nossa turma sobreviveu a todos os acontecimentos da época. O Diretório Acadêmico Alexandre de Gusmão era composto de dois partidos - PIA (direita) e UP (esquerda). As eleições movimentavam a faculdade. A Faculdade tinha um grande diretor - Carlos Pacheco Cyrillo, e excelentes professores: Arquimedes Bava, Francisco Prado, Carlos Alvarenga Bernardes, Walter Cotrofe, Vicente Cascione, Edwilson Loureiro, Ariosto Guimarães, João de Freitas Guimarães, Luiz Antonio de Oliveira Ribeiro, Paulo Sérgio Leite Fernandes, Raphael Salvador, Padre Aragão, Padre Paulo, Emilio Perez, entre outros. E grandes amigos: Nosso livreiro Orlando Correa Leite, Jaldo (Bedel), D. Maura (cantina)... Estudamos matérias abolidas, hoje, nos cursos de Direito, como Medicina Legal, Estudo de Problemas Brasileiros, Direito Canônico, Economia Política, Apologética, Direito Judiciário Penal. Nossa turma foi ímpar. Dela saíram excelentes Advogados, Juízes, Desembargadores, Promotores, Delegados de Polícia, Professores, Políticos, empresários de sucesso, e outras profissões. Infelizmente nessa confraternização muitos não estavam presentes. Partiram cedo e deixaram muitas saudades. Que estejam na paz de Deus. E a todos nós, jovens com 50 anos de formados, as nossas homenagens. Como escreveu nosso querido professor e amigo Vicente Cascione, em sua coluna dominical, no Jornal A Tribuna de 22/12/74: Quando uma turma se vai e põe lágrimas nos olhos de seu velho diretor, e nos professores um irresistível sentimento de saudade, esta turma é honrada, idealista e plena de dignidade”. “A vida é efêmera. Mas nossa turma será eterna”. *Michel Elias Zamari. Advogado